O inquérito demonstra que José Diercilei atuava como fornecedor de drogas, facilitador de movimentações financeiras ilícitas e beneficiário direto de possíveis esquemas de corrupção e desvio de recursos públicos

As investigações conduzidas pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO/CECCOR) revelam que José Diercilei Nei de Souza, atual secretário de Infraestrutura de Vitória do Jari/AP, ocupava papel central na organização criminosa: ele é apontado como um dos principais responsáveis pelo suporte financeiro, logístico e operacional da facção Família Terror do Amapá (FTA).
O inquérito demonstra que José Diercilei atuava como fornecedor de drogas, facilitador de movimentações financeiras ilícitas e beneficiário direto de possíveis esquemas de corrupção e desvio de recursos públicos que abasteciam as operações da organização criminosa — que incluíam tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e fortalecimento de lideranças faccionadas.
Conta bancária servia como “central de distribuição” de valores do tráfico
A análise de mensagens extraídas do celular de traficantes investigados confirmou que a conta bancária de José Diercilei era usada para receber o dinheiro oriundo da revenda de drogas na região sul do Amapá.
Segundo o relatório, a conta do secretário:
- era utilizada por Leomar Teixeira dos Santos, traficante da zona sul, para repasse de valores ilícitos;
- recebia transferências de diversos traficantes, funcionando como um canal de escoamento dos lucros do comércio de entorpecentes;
- enviava valores para regiões estratégicas conhecidas como corredores do narcotráfico, como Tabatinga (AM) — tríplice fronteira Brasil–Colômbia–Peru.
Em comunicações registradas em 3 de janeiro de 2024, o indivíduo conhecido como
“Kako” estabelece contato com Leomar para negociar a aquisição de entorpecentes. Em resposta, Leomar fornece os dados bancários de José Diercilei Nei de Souza, instruindo Kako a efetuar naquela conta o pagamento referente ao material ilícito.

MENSAGENS
A Polícia Civil classifica José Diercilei como “fornecedor-chave”, com papel central no abastecimento de drogas para operadores locais da FTA.
Mais de R$ 3,3 milhões movimentados — valor incompatível com sua realidade financeira
O relatório de inteligência financeira encaminhado pelo COAF apontou que, entre maio de 2022 e janeiro de 2025, o secretário movimentou mais de
R$ 3.300.000,00
Essa quantia é considerada totalmente incompatível com seu padrão de renda, e apresentou diversos indícios típicos de lavagem de dinheiro, como depósitos fracionados em dinheiro; transferências rápidas para terceiros com histórico criminal; saldos zerados após grandes movimentações; valores arredondados — prática comum para dificultar rastreamento.
Indícios de corrupção: empresa contratada pela Prefeitura repassou R$ 100 mil ao secretário
Um dos pontos mais graves identificados pela investigação é a transferência de R$ 100 mil realizada pela empresa D.F. do Amaral EIRELI para a conta pessoal de José Diercilei.
A empresa mantém contratos milionários com a Prefeitura de Vitória do Jari, atua justamente na área de obras públicas fiscalizada pelo secretário, possui sede considerada incompatível com os valores movimentados — indício de empresa de fachada.
A Polícia Civil aponta um possível pagamento de propina relacionado ao favorecimento em contratos públicos, caracterizando crime de corrupção e possível desvio de recursos públicos.
Dinheiro público pode ter abastecido o tráfico da facção FTA
A investigação sustenta que parte do dinheiro desviado de obras públicas do município pode ter sido direcionado ao financiamento do tráfico, fortalecendo financeiramente a facção.
O inquérito destaca que José Diercilei já era investigado por tráfico e organização criminosa. Parte dos recursos recebidos da empresa contratada pela Prefeitura foi usada na rede de tráfico identificada pela DRACO.
Conclusão: secretário seria peça-chave na engrenagem criminosa que une tráfico, lavagem e corrupção

A Polícia Civil atribui a José Diercilei um papel central na sustentação financeira da FTA, ocupando simultaneamente três frentes:
- Financiador e abastecedor do tráfico de drogas;
- Lavador de capitais, utilizando sua conta para movimentações milionárias suspeitas;
- Corrupto e beneficiário de pagamentos indevidos de empresa contratada pela prefeitura.
Para os investigadores, o secretário representa a ligação entre o crime organizado e a máquina pública, contribuindo para estruturar e financiar atividades criminosas que afetam diretamente a segurança do estado.








