Taxa de Homicídio de homens negros é 13,5 vezes maior que homens não negros no Amapá

Em Macapá a taxa de homicídios masculinos com armas de fogo em 2023 (por 100 mil habitantes) de homens negros foi de 155,5 enquanto que de homens não negros foi de 11,5

Maceió lidera o ranking da morte. Na capital de Alagoas o número homicídios de homens é 13,9 vezes maior do que de homens não negros. Em seguida vem Macapá (13,5 vezes )

Homens negros têm 211% mais chance de serem mortos por arma de fogo no Brasil do que homens não negros, segundo pesquisa do Instituto Sou da Paz. O estudo, lançado nesta quinta-feira (20), Dia da Consciência Negra, analisa mais de uma década de dados oficiais sobre homicídios e violência armada e revela um padrão persistente: 80% das vítimas são negras, em sua maioria jovens de 20 a 29 anos, mortos sobretudo em vias públicas.

As capitais brasileiras registraram 7.507 homicídios masculinos com armas de fogo ocorridos em 2023, o que representa 24% desses óbitos no Brasil. Ainda que os 76% restantes se distribuam em municípios das regiões metropolitanas e do interior, algumas capitais se destacam com taxas superiores à média do estado, como Palmas, Teresina, Porto Alegre, Rio Branco e Florianópolis.

Segundo o estudo as taxas de homens negros superam as de homens não negros, sem exceção.

CAPITAIS

Maceió lidera o ranking da morte. Na capital de Alagoas o número homicídios de homens é 13,9 vezes maior do que de homens não negros. Em seguida vem Macapá (13,5 vezes ), Fortaleza (10,1 vezes) e Aracaju (7,3 vezes).

Em Macapá a taxa de homicídios masculinos com armas de fogo em 2023 (por 100 mil habitantes) de homens negros foi de 155,5 enquanto que de homens não negros foi de 11,5.

Roraima, com a mais alta taxa de mortalidade de homens não negros, é exceção. Rio Grande do Sul e Paraná são os estados com menor desigualdade racial, enquanto em Alagoas e Amapá essa desigualdade é extrema.

Nos números absolutos, a Bahia registrou 5.209 homicídios por arma de fogo em 2023, seguida de Pernambuco (2.810) e do Rio de Janeiro (2.596). Quando se observa a taxa por 100 mil homens, o Amapá lidera (111,5), seguido da Bahia (73,2) e de Pernambuco (62,0).

Alagoas continua à frente, com taxa de homicídios de homens negros 13,9 vezes maior do que para homens não negros, um padrão observado ao longo da série. Em seguida, no Amapá, a discrepância salta para 13,5 vezes em 2023, ano marcado pelo acentuado aumento da taxa de homicídios masculinos concentrado nas vítimas negras (+57%), ao passo que, entre as vítimas não negras, houve redução.

AMAPÁ

Esse agravamento da violência armada no Amapá é exemplar do impacto dos conflitos entre facções fortemente armadas cada vez mais presentes no território, assim como observado em outras unidades da federação, especialmente do Nordeste.

Por outro lado, desde 2019 o Amapá apresenta a mais alta taxa de mortes por intervenção policial entre as unidades da federação. Com taxa mais de sete vezes superior à média nacional (de 3,0 óbitos por cem mil habitantes), a letalidade policial correspondeu a 35% do total de mortes violentas intencionais registradas no estado em 2023.

ESTUDO

A pesquisa usa dados do Ministério da Saúde: os registros de óbitos do SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), de 2012 a 2023, e as notificações de agressões do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), de 2012 a 2024.

O estudo mostra que 49% dos homicídios masculinos ocorrem em vias públicas, como ruas, becos e estradas. Residências representam apenas 11,6% dos casos. Entre idosos, a proporção de mortes dentro de casa cresce, mas entre jovens prevalece a violência aberta e urbana.

A desigualdade racial também aparece na violência armada não letal. Entre 2012 e 2024, o Sinan registrou 58.549 notificações de agressões cometidas com armas de fogo contra homens. Depois de cair até 2021, o número voltou a subir e chegou a 5.605 registros em 2024, aumento de 59% em três anos. A maioria das vítimas é negra; em 2024, 50% eram negras e 44% não negras.

Para o Instituto Sou da Paz, os indicadores reforçam que a política de segurança pública no Brasil segue falhando em enfrentar a combinação entre raça, gênero e território. “Os dados apresentam uma realidade conhecida, mas é preciso reconhecê-la no cerne das políticas públicas voltadas à redução das desigualdades”, afirma a diretora-executiva Carolina Ricardo.

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