Iphan promove aulas de Arqueologia, Marabaixo e Capoeira no Amapá

As ações ocorreram nos municípios de Amapá, Calçoene, Pedra Branca do Amaparí, Porto Grande, Serra do Navio e Tartarugalzinho

O objetivo do projeto é fortalecer o reconhecimento dos saberes tradicionais

Estudantes da rede pública estadual do Amapá tiveram a oportunidade de aprender sobre Arqueologia, Capoeira e Marabaixo em um projeto de educação patrimonial promovido pela Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no estado. As atividades foram realizadas ao longo do mês de novembro, em conjunto com técnicos e representantes dos bens culturais abordados. Foto: Iphan

As ações ocorreram nos municípios de Amapá, Calçoene, Pedra Branca do Amaparí, Porto Grande, Serra do Navio e Tartarugalzinho, com cinco dias de programação em cada cidade. O objetivo do projeto é fortalecer o reconhecimento dos saberes tradicionais entre crianças e jovens, promovendo o diálogo entre diferentes expressões do patrimônio cultural amapaense e brasileiro. 

Conhecimento arqueológico 

Nas oficinas de Arqueologia, os estudantes puderam conhecer mais sobre o patrimônio que representa o passado da região. Concebida no âmbito do Plano de Ação de Educação Patrimonial do Iphan, a atividade foi estruturada a partir de três eixos fundamentais. 

O primeiro eixo abordou a conceituação básica da Arqueologia, com informações sobre o que são sítios arqueológicos e quais tipos de materiais são estudados por essa ciência. O segundo eixo apresentou um panorama do tema no Amapá, destacando os principais tipos de vestígios arqueológicos pesquisados no estado, a distribuição espacial dos sítios em seu território e os locais onde os materiais encontrados das pesquisas são salvaguardados. 

Já o terceiro eixo consistiu na apresentação de diferentes contextos arqueológicos do Amapá, por meio de registros fotográficos de sítios com arte rupestre e petróglifos, cerimoniais, de habitação e funerários e de alinhamento megalítico. 

Além das palestras expositivas, no município de Calçoene a oficina contou com visita técnica ao sítio AP-CA-18, possibilitando aos estudantes o contato direto com o patrimônio arqueológico local. O local teria sido utilizado como observatório astronômico, cujos alinhamentos marcam a trajetória do sol durante o solstício de inverno, fenômeno que, até os dias atuais, sinaliza o início do período chuvoso na região. Foto: Iphan

O objetivo central da atividade foi evidenciar que, antes da invasão europeia, já existia vida abundante no território, marcado por formas de organização social, sistemas simbólicos elaborados e expressivas manifestações artísticas produzidas pelos povos indígenas. 

Capoeira 

Nas atividades de Capoeira, foram desenvolvidas práticas musicais e corporais. Mestres com longa trajetória no estado conduziram as atividades, ensinando toques de atabaque, pandeiro, reco-reco e berimbau, além da ginga, elemento fundamental da modalidade. 

Também houve momentos de interação entre estudantes de diferentes escolas e cidades, incluindo alunos dos próprios mestres e de mestres formados pelas gerações mais antigas da Capoeira no Amapá. 

Manifestação cultural afro-amapaense 

Em todos os municípios abrangidos pelo projeto, detentoras e detentores de tradicionais barracões de Marabaixo de Macapá e da região metropolitana conduziram as oficinas dessa manifestação cultural afro-mapaense, reconhecida como patrimônio imaterial.  Os mestres apresentaram os principais aspectos, como dança (a roda), canto (ladrões), música (tambores), vestimentas tradicionais, culinária (como o cozidão e a gengibirra) e rituais religiosos do Ciclo do Marabaixo, com destaque para o louvor ao Divino Espírito Santo. A manifestação simboliza resistência, fé e identidade das comunidades negras do Amapá, com raízes profundas na memória da escravidão.  

As atividades também contaram com a participação de grupos marabaixeiros formados nas escolas a partir do projeto Cantando Marabaixo nas Escolas, integrando as vivências culturais ao trabalho já desenvolvido nas comunidades escolares. O projeto foi vencedor do Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade em 2023, reconhecimento concedido pelo Iphan a iniciativas de excelência na preservação do patrimônio cultural brasileiro. 

A estudante Aline Beatriz, da Escola Estadual Vidal de Negreiros, no município de Amapá, destacou o caráter enriquecedor das atividades relacionadas à Capoeira e ao Marabaixo. “Aprendemos muito sobre a história da capoeira e assistimos a uma apresentação. Na parte do marabaixo, conhecemos a história do dele no nosso estado, os instrumentos, a comida e as músicas”, comentou. 

Para mais informações sobre esses bens culturais, acesse a plataforma Bem Brasileiro

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