Brasil inicia oficialmente despedida do orelhão, ícone do design urbano; No Amapá ainda existem 79 registrados

Orelhões viram artigo de decoração em eventos – Espaço Cultural No Pico

Esta semana, o Brasil inicia a despedida oficial de um de seus símbolos nacionais mais icônicos: o “orelhão”. Criado em 1971 pela arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira (nascida em Xangai em 1941 e radicada no Brasil desde os 10 anos), o telefone público em forma de concha de fibra de vidro revolucionou o design urbano brasileiro com sua simplicidade, boa acústica e proteção contra intempéries e ruídos.

arquiteta e designer sino-brasileira Chu Ming Silveira

De acordo com a Anatel, o Amapá tem 79 orelhões registrados, mas apenas 39 estão em funcionamento. Os dados sobre os Telefones de Uso Público (TUP) são informados mensalmente pelas operadoras à agência.

O formato inconfundível, com as “orelhas” laterais que davam privacidade ao usuário, tornou-se um marco cultural, presente em praças, ruas e calçadas por décadas, e chegou a superar 1,5 milhão de unidades no auge.

O adeus definitivo começa agora, em janeiro de 2026, após o encerramento das concessões do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) em dezembro de 2025.

Com isso, as operadoras Algar, Claro, Oi, Sercomtel e Telefônica (Vivo) deixam de ter a obrigação legal de manter a infraestrutura de telefones públicos. A Anatel autorizou a retirada gradual de cerca de 30 mil a 38 mil aparelhos remanescentes (muitos já inativos ou depredados), com o processo de remoção em massa iniciado esta semana.

Quantos orelhões existem no Amapá?

MunicípioQuantidade
Macapá23
Tartarugalzinho11
Itaubal7
Mazagão6
Pedra Branca do Amapari5
Oiapoque5
Laranjal do Jari5
Calçoene4
Porto Grande3
Cutias3
Pracuúba3
Vitória do Jari2
Amapá1
Serra do Navio1

Fonte: Anatel

Fim de uma era

A extinção não será imediata em todos os lugares: cerca de 9 mil orelhões devem ser mantidos até 31 de dezembro de 2028 em localidades sem cobertura adequada de telefonia celular, para garantir acesso básico a serviço de voz. No restante do país, a tendência é de desaparecimento completo até o fim de 2028, refletindo a predominância absoluta dos celulares e da internet móvel.

Cartões de Orelhões personalizados foram febre no início dos anos 2000.

Cartões de orelhões personalizados foram uma verdadeira febre no início dos anos 2000. As operadoras lançavam edições especiais e limitadas com temas variadíssimos: animais da fauna brasileira, pontos turísticos, datas comemorativas, personagens de desenhos animados, filmes (como James Bond), times de futebol, celebridades e eventos esportivos.

Isso transformou os cartões em objeto de colecionismo em massa, muita gente trocava como figurinhas, formava séries completas em pastas plásticas e disputava edições raras que valiam bem mais que o crédito em si. Era um hobby que misturava nostalgia, status e paixão, quase um “mercado paralelo” entre adolescentes e adultos antes da explosão dos celulares inteligentes.

Ao redor do mundo, a inovação transformou telefones públicos em novos espaços, como bibliotecas comunitárias e até pontos de wi-fi. No Amapá, o que antes era símbolo de comunicação nas ruas ganhou novos papéis fora das calçadas: o orelhão passou a ser reaproveitado como item de decoração e, em iniciativas locais comunitárias e até municipais, transformou-se em lixeira pública, ajudando a suprir a falta de recipientes nas ruas e contribuindo com o meio ambiente.

Orelhões foram requalificados como lixeira pública na Zona Sul de Macapá.

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