Aos 23 anos, a estudante de Engenharia Florestal Manuelle da Costa Pereira colocou a Amazônia no centro da inovação tecnológica brasileira

Graduanda do Instituto Federal do Amapá (Ifap), ela venceu a categoria Estudante do Ensino Superior da 31ª edição do Prêmio Jovem Cientista, tornando-se a primeira pesquisadora do Amapá a conquistar a premiação. Seu projeto, o Kit Solar Castanheiro, nasceu da vivência direta com extrativistas no sul do Estado e propõe uma alternativa limpa e portátil para substituir geradores movidos a diesel na floresta.
A ideia surgiu em 2022, durante expedições científicas em áreas de castanheiras nativas e árvores gigantes da Amazônia. Ao compartilhar o cotidiano com comunidades extrativistas, Pereira percebeu o peso da dependência do diesel. Caro, poluente e de difícil transporte, o combustível contrastava com a importância da região para o equilíbrio climático global. A inquietação técnica virou pergunta prática: como garantir autonomia energética sem ampliar as emissões de gases de efeito estufa em plena floresta?
Depois de três protótipos, o equipamento chegou a uma versão portátil de cerca de 12 quilos, transportada como mochila e produzida a partir de materiais reaproveitados, como bombonas que seriam descartadas. O kit fornece energia solar para iluminação noturna, carregamento de celulares, roteadores e pequenos equipamentos utilizados na safra da castanha. A solução já foi testada em campo e resolve dois problemas centrais: reduz a pegada de carbono das atividades extrativistas e facilita a mobilidade dos trabalhadores, que antes dependiam de geradores pesados e barulhentos.
O projeto foi apresentado durante a COP30, em Belém, e teve o pedido de registro como modelo de utilidade protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com apoio do Núcleo de Inovação Tecnológica do Ifap. Para Pereira, a conquista simboliza a força da ciência produzida fora dos grandes centros, a partir da escuta ativa das comunidades e da integração entre inovação, conservação e justiça social.
Ciência feita na floresta, conectada às realidades locais e aos desafios globais, tem relevância nacional”
— Manuelle Pereira

“Mostrar que é possível produzir ciência de excelência a partir da Amazônia, com base em vivência de campo, diálogo com comunidades e inovação tecnológica, tem um significado enorme. A premiação reforçou que a ciência feita na floresta, conectada às realidades locais e aos desafios globais, tem relevância nacional”, afirma a estudante.
Além de suprir as necessidades dos extrativistas, a pesquisa destaca que o modelo compacto e portátil do Kit Solar Castanheiro está totalmente alinhado aos princípios da Amazônia 4.0 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Agora, a jovem pesquisadora quer ampliar os testes em em outras comunidades e aperfeiçoar a autonomia e a durabilidade do equipamento.








