Conhecido como Mestre Lino, o sambista, compositor e multicampeão do carnaval morreu neste domingo (18), em Macapá. Último fundador vivo da tradicional escola de samba, ele dedicou sua vida à preservação da cultura popular e à história da comunidade do Laguinho

O carnaval amapaense perdeu neste domingo (18) um dos seus maiores nomes. Francisco Lino da Silva, conhecido como Mestre Lino ou Seu Lino, morreu aos 91 anos, no Hospital São Camilo, em Macapá. Sambista, compositor, intérprete e um dos fundadores da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, ele deixa um legado que se confunde com a própria história do samba e da cultura popular do Amapá.
A morte ocorreu por volta das 19h, segundo informações divulgadas em notas de pesar. A causa do falecimento não foi informada.
Considerado um dos mais importantes representantes do carnaval amapaense, Francisco Lino participou da construção da identidade cultural da Boêmios do Laguinho, escola de samba que se tornou uma das principais referências da tradição carnavalesca do estado.
Sua trajetória atravessou gerações e ajudou a transformar o Laguinho, um dos bairros mais tradicionais de Macapá, em um dos principais centros de preservação da cultura afro-amapaense.
Último fundador vivo da Boêmios do Laguinho
A morte de Mestre Lino representa uma perda histórica para a Universidade de Samba Boêmios do Laguinho.
Em nota oficial, a escola informou que ele era o último de seus fundadores ainda vivo.
Ao longo de sua trajetória, Francisco Lino exerceu diferentes funções na agremiação. Foi presidente, intérprete e compositor de sambas que ajudaram a conduzir a escola a conquistas no carnaval.
Segundo a Boêmios do Laguinho, Mestre Lino acompanhou os 29 títulos conquistados pela escola, participando de diferentes momentos de sua história.
Mais do que um integrante da agremiação, era considerado um símbolo da chamada Nação Negra, como é conhecida a comunidade boemista.
Sua presença nas atividades culturais e nos encontros da escola ajudou a manter viva a memória de gerações de sambistas que construíram o carnaval amapaense.
Um dos maiores nomes da história do samba no Amapá
Francisco Lino pertencia a uma geração de artistas populares que ajudou a consolidar o carnaval de rua no Amapá.
Compositor de sambas campeões, intérprete e profundo conhecedor das tradições carnavalescas, era reconhecido como um dos grandes mestres da cultura popular do estado.
Sua contribuição ultrapassou os desfiles e as disputas entre escolas de samba.
Mestre Lino também se destacou como memorialista, preservando histórias, personagens e acontecimentos que marcaram a formação cultural do Laguinho e de Macapá.
Sua trajetória foi marcada pela dedicação ao samba, pela participação nas atividades sociais e culturais da comunidade e pelo compromisso com a preservação das tradições populares.
Laguinho perde um de seus principais guardiões culturais
A morte de Francisco Lino também representa uma perda para a comunidade do Laguinho, bairro historicamente ligado às manifestações culturais afro-amapaenses.
O samba, o marabaixo, as rodas de música e as celebrações populares fazem parte da identidade cultural construída por gerações de moradores.
Mestre Lino integrou esse processo como artista, compositor e participante ativo da vida comunitária.
Sua trajetória ajudou a preservar a memória de um período em que as manifestações culturais populares se consolidaram como instrumentos de identidade e pertencimento.
Ao longo de décadas, acompanhou as transformações do carnaval amapaense, mantendo sua ligação com a escola que ajudou a fundar.
Sua morte encerra um capítulo importante da história da Boêmios do Laguinho, mas deixa uma contribuição que continuará presente nas composições, nos desfiles e na memória da comunidade.
Velório ainda não foi confirmado pela família
Até a divulgação das informações reunidas nesta reportagem, a família de Francisco Lino da Silva ainda não havia anunciado oficialmente o local do velório e os detalhes do sepultamento.
Há expectativa de que a despedida ocorra na sede da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho, mas a informação ainda depende de confirmação dos familiares.
Leia a nota de BOÊMIOS DO LAGUINHO
NOTA DE PESAR
Universidade de Samba Boêmios do Laguinho
Hoje, a Grande Nação Negra chora a partida do nosso querido menestrel, Francisco Lino da Silva, o inesquecível Seu Lino.
Último de nossos fundadores que permanecia conosco neste plano, foi presidente, intérprete e compositor de sambas campeões, ajudando a construir a grandiosa história da Universidade de Samba Boêmios do Laguinho. Viveu nossos 29 títulos e marcou gerações com sua alegria, seu sorriso acolhedor e seu inesquecível joinha, símbolo de uma presença que jamais será esquecida.
Para as nossas crianças, uma referência; para os mais velhos, um amigo; para os boemistas, um irmão de Nação. Sua partida deixa uma saudade imensa, mas seu legado permanecerá vivo em cada samba, em cada carnaval e nas cores do nosso pavilhão.
Seu Lino, seu maior título foi o amor conquistado no coração de cada boemista. E esse será eterno.
A Universidade de Samba Boêmios do Laguinho se solidariza com familiares e amigos neste momento de profunda dor.
Descanse em paz, nosso menestrel. Sua história seguirá para sempre bordada em nosso pavilhão.








