Compositores amapaenses participam da semifinal do festival de samba-enredo da Mangueira neste sábado

Para o governador Clécio Luis a conquista demonstra o potencial artístico do Amapá e reforça o compromisso do governo em valorizar a cultura do estado

O Amapá volta a ser destaque no cenário do samba nacional. Neste sábado, 20, os compositores amapaenses sobem no palco da quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro, para se apresentar na semifinal do festival de samba-enredo da escola, que tem como tema do Carnaval 2026 “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”. A participação será especial não fazendo parte da disputa já que os sambas amapaenses já estão classificados para a final.

A participação amapaense é resultado da seletiva realizada no estado, que escolheu como os melhores para representar o Amapá no festival da verde e rosa, no Rio, o samba 103, de composição de Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antonio Neto, Clóvis Júnior e Marcelo Zona Sul, e o de número 105, dos compositores Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato e Bruno Costa.

O governador do Amapá, Clécio Luís, recebeu a imprensa nesta sexta-feira 19 para falar sobre a classificação dos sambas-enredo. A presença de compositores do estado entre os finalistas é considerada um feito inédito e um reconhecimento do talento e da força da cultura popular amapaense no cenário nacional. Segundo Clécio, a conquista demonstra o potencial artístico do Amapá e reforça o compromisso do governo em valorizar a cultura do estado.

Enredo

O enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, mergulha na história afro-indígena do extremo Norte do país a partir das vivências de Mestre Sacaca. O enredo é assinado pelo carnavalesco da agremiação Sidnei França. E dá início ao triênio do centenário da agremiação.

De origem negra e indígena, cernes da formação do Amapá, Raimundo dos Santos Souza, personagem central da Verde e Rosa apresenta os encantos que viveu no seu território. Ao ser apelidado como Sacaca, uma titulação xamânica, ele navegou pelos rios que cruzam a região Norte do Brasil, entrando em contato com diferentes populações tradicionais.

Mestre Sacaca tornou-se um personagem brasileiro de profundos saberes sobre o manuseio de ervas, seivas, raízes e elementos que compõem a Amazônia Negra amapaense. Utilizava seus conhecimentos no tratamento de doenças e do cuidado comunitário por meio de garrafadas, chás, unguentos e simpatias. Por isso, também se tornou conhecido como “doutor da floresta” em diferentes cidades das terras Tucujus – expressão oriunda de um grupo indígena que habitava essa região, e que atualmente é utilizada para se referir ao povo desse estado.

Para além dos atendimentos e dos pedidos diários de cura, disseminou receitas e simpatias com a publicação de livros e de seus programas em rádios locais. No cotidiano, portanto, promovia a medicina ancestral e também o poder das ervas, manuseando a natureza em um equilíbrio entre ciência e espiritualidade.

Sacaca também foi marabaixeiro (alguém que pratica ou participa do marabaixo, uma manifestação cultural afro-amapaense que combina música, dança e ritual). Participou ativamente da maior manifestação cultural desse estado, e integrou-se ativamente ao carnaval do Amapá, outro importante festejo da região. Foi Rei Momo por mais de 20 anos, além de fundar blocos e escolas de samba do estado. Tornou-se um defensor e estimulador dos tambores da Amazônia Negra.

Xamã Babalaô

Nascido em 1926, o Xamã Babalaô – como foi chamado em uma canção póstuma composta por Ricardo Iraguany e Enrico Di Miceli – ainda é presente na memória do povo amapaense. Sua família segue perpetuando seus saberes, conhecimentos e vivências.

Sacaca, cujo nascimento se aproxima do centenário, dedicou sua vida à defesa da floresta e das tradições, práticas e culturas afro-indígenas. Por essa razão, a Mangueira, contadora de diferentes histórias brasileiras, celebra essa figura que é uma das caras do nosso país diverso e de dimensões continentais.

“Estamos falando de algo inédito na historiografia da Mangueira: tratar de costumes afro-indígenas. Mesmo no Brasil, muitas vezes ainda predomina uma visão monolítica sobre a Amazônia, com muitas narrativas e personagens ainda inexplorados ou sem ter a devida atenção”, avalia Sidnei França, carnavalesco da Mangueira. “Com sua vocação de contar ‘outras histórias’, a Mangueira vai apresentar Mestre Sacaca, um legítimo representante dessa floresta afro-indígena”.

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