Ezequias é dos autores da ação judicial que questiona contratos ligados ao projeto de manejo florestal no Assentamento Maracá

A Justiça Federal manteve a prisão preventiva do líder rural Ezequias Rosa Vieira, 36, apontado pela Polícia Federal como responsável por desviar armas adquiridas com registro de CAC e revendê-las a integrantes de facções criminosas no Amapá. A decisão foi tomada na audiência de custódia realizada na noite de quarta-feira (8/10), após a prisão dele na terça (7/10) durante a Operação Arsenal de Papel. O juiz de garantias entendeu que a liberdade do investigado representa risco à ordem pública e às investigações
Segundo a PF, o esquema consistia na compra legal de armas com título de colecionador/atirador/caçador e no registro de falsos boletins de ocorrência de furto ou perda, prática que teria facilitado o repasso do arsenal a criminosos. A corporação afirma que a pena para o crime de comércio ilegal de armas pode chegar a oito anos de prisão. A prisão ocorreu no Bairro Infraero II, em Macapá, com apoio da Polícia Civil de Mazagão, município onde Ezequias atuava como liderança rural.
Autor de ação contra manejo florestal

Ezequias é também autor de ação judicial que questiona contratos ligados ao projeto de manejo florestal no Assentamento Maracá, em Mazagão — tema que motivou protestos públicos liderados por ele nos últimos anos. A ação (Processo nº 1016648-50.2021.4.01.3100), que tramita na 2ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária do Amapá, tem como rés a Associação dos Trabalhadores do Assentamento Agroextrativista Maracá (Atexma) e empresas ligadas ao manejo. O processo segue com decisões e recursos registrados em 2024 e 2025, incluindo sentença e apelações recentemente juntadas aos autos.

O que diz a decisão da custódia
Na custódia, o magistrado converteu a prisão em preventiva ao considerar elementos apresentados pela PF sobre o modus operandi e a possibilidade de reiteração delitiva, além do potencial embaraço à colheita de provas. Ezequias foi encaminhado ao Iapen e permanece à disposição da Justiça
Próximos passos: o inquérito prossegue sob sigilo, e a defesa poderá impetrar pedidos de revogação da preventiva ou habeas corpus nas instâncias competentes. Enquanto isso, o processo cível do Maracá — do qual Ezequias é autor — segue seu curso com recursos pendentes no âmbito da Justiça Federal.








