
Em um marco histórico para o Amapá, a Petrobras dá início nesta terça-feira (21) à perfuração do poço exploratório no bloco FZA-M-059, localizado a 175 km da costa, em águas profundas da Margem Equatorial. A operação, que deve durar cinco meses, foi autorizada pelo Ibama na véspera (20), exatos 12 anos após o leilão da ANP em 2013.
O governador Clécio Luís celebrou o feito em coletiva de imprensa no Palácio do Setentrião, destacando o papel do governo estadual na articulação administrativa e a expertise da Petrobras, comparada à “NASA dos mares”.
“Hoje é o dia importante. Ontem foi o dia de a gente festejar”, afirmou o governador, revelando que recebeu ligação pessoal da presidente da Petrobras, Magda Chambriard – ex-presidente da ANP à época do leilão –, anunciando a liberação da licença operacional para pesquisa exclusiva, sem produção de petróleo ou gás nesta fase. “É um avanço gigantesco”, enfatizou Clécio Luís.
Timeline Histórica: De 2013 a 2025
O bloco FZA-M-059 foi arrematado em 13 de maio de 2013 na 11ª Rodada de Licitações da ANP, com um dos maiores lances da história da agência (R$ 2,4 bilhões de bônus de assinatura). Participaram gigantes como Total (França), BP, Bristow Petroleum, Shell, ExxonMobil e Petrobras, atraídas pela similaridade geológica com as bacias produtivas da Venezuela, Guiana, Suriname e África Ocidental.
- 13/05/2013: Leilão e concessão inicial à BP (40%) + Petrobras (30%) + Total (30%).
- Abril/2014: Início do licenciamento ambiental.
- 2020: Petrobras assume operação 100% após repasses da BP e Total, que não obtiveram licenças.
- Maio/2023: Negativa inicial do Ibama por falhas em planos de emergência; recursos e ajustes seguem.
- Setembro/2025: Maior simulação global de vazamento de óleo na Costa de Oiapoque, com 400 participantes e 25 cenários testados.
- 20/10/2025: Licença liberada pelo Ibama.
- 21/10/2025: Início da perfuração.
O processo demandou cumprimento integral de exigências ambientais, incluindo estudos EIA/RIMA, audiências públicas, reuniões técnicas no Amapá e Pará, e construções como o Centro de Despetrolização e Hospital de Fauna em Oiapoque e Belém.
Perfuração em Tempo Real
A sonda NS-42, posicionada a 175 km do Cabo Orange, em lâmina d’água de 2.880 metros, iniciou a descida das colunas de aço na segunda-feira. Hoje, os jatos de água de alta pressão furam as camadas mais moles, seguidos de brocas específicas para rochas, com tubulações de aço e concretagem de redundância para segurança total.
“Perfuração entre 1.500 e 5.000 metros para encontrar o petróleo”, explicou o governador. A Petrobras, líder mundial com mais de 3 mil poços perfurados em águas profundas sem acidentes, coletará amostras para análise geológica, propriedades do óleo e estimativa de volumes. Projeções indicam potencial de 30 bilhões de barris – superior ao pré-sal –, posicionando o Amapá como epicentro da produção na “Plataforma das Guianas”, declarou Clécio.
Estratégias
O estado aposta no Repetro, regime de incentivos fiscais que reduz em até 40% os custos de implantação para a cadeia de óleo e gás. Benefícios incluem isenções de ICMS, SUFRAMA, área de comércio e corredor de importação, atraindo indústrias petroquímicas para plásticos, roupas e combustíveis.
“Todo o ecossistema: refinarias, petroquímica, cabos submarinos”, listou Clécio Luís. Royalties beneficiarão diretamente municípios produtores (Laranjal do Jari, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Cutias) e limítrofes (Oiapoque, Ferreira Gomes, Mazagão), além do Estado. Um plano de governança será apresentado, destinando recursos a:
- Pesquisa aplicada: Diversificação além do petróleo.
- Meio ambiente: Estruturação de órgãos, preservação da floresta e financiamento a povos indígenas.
- Infraestrutura: Portos, estradas e aeroportos para o novo ciclo econômico.
“Petrobras é Nossa NASA”
O governador Clécio Luís comparou a Petrobras à NASA do oceano, destacando sua expertise mundial em perfurações ultraprofundas. Em trecho marcante da coletiva:
“Por isso que a Petrobras é a maior especialista em perfuração de poços em águas profundas e ultraprofundas do mundo. Foram mais de 3 mil poços perfurados, sem nenhum acidente. O que a NASA é para o espaço, a Petrobras é para o mar. […] “Então, a Petrobras é a nossa NASA. Ela é a maior especialista em prospecção, perfuração e pesquisa de óleo e gás do planeta.”
A etapa atual de pesquisa terá duração de exatos 5 meses (até março de 2026), conforme detalhado pelo governador. Durante esse período, a Petrobras coletará amostras para análise das propriedades do petróleo e prognóstico de cubagem, respondendo à pergunta: “Quantos bilhões de metros cúbicos de petróleo existe nessa bacia?” – com estimativa de 30 bilhões de barris.
Se viável economicamente, o que pode vir depois inclui nova licença de produção solicitada ao Ibama para extração comercial, desenvolvimento do campo com construção de plataformas, oleodutos, refinarias e petroquímicas.








