Hospital São Camilo confirmou ao Ministério Público que Francisco Canindé, apontado como mandante do assassinato de Antônio Candeia, teve alta médica

A direção do Hospital São Camilo, em Macapá, comunicou oficialmente ao Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP) que o fazendeiro Francisco Canindé da Silva, acusado de ser o mandante da morte do idoso Antônio Candeia, recebeu alta médica no dia 10 de outubro de 2025.
O documento foi encaminhado pela Sociedade Beneficente São Camilo – Hospital São Camilo e São Luís, em resposta a um ofício do órgão ministerial que pedia informações sobre o estado de saúde e a situação hospitalar do réu.
Alta e detalhes da internação
De acordo com um laudo médico Francisco Canindé foi submetido a cirurgia de correção de hemorroida com sangramento. O laudo médico também registrou que, após o procedimento, o paciente apresentou retenção urinária, necessitando do uso de sonda vesical.
Ainda de acordo com o relatório, Canindé apresentou distúrbios psiquiátricos e chegou a tentar se jogar do primeiro andar da unidade hospitalar..
O hospital informou ao MP-AP que as responsáveis financeiras pelos pagamentos foram Kelley Lobato e Benelice Marques Castro Cyrillo, conforme registros administrativos.
Os valores referentes à internação foram quitados integralmente, através de cartão de débito e pagamentos em espécie.
Vínculos políticos e familiares
Kelley Lobato, esposa de Francisco Canindé, é prefeita do município de Amapá. Benelice Marques, também apontada no documento, é prima da deputada estadual Deise Marques, esposa do ex-prefeito Carlos Sampaio.
O crime que chocou o município
O assassinato de Antônio Candeia, de 80 anos, conhecido como “Maranhão”, ocorreu no dia 23 de novembro de 2024, na zona rural do município de Amapá, e foi filmado por uma testemunha.
Nas imagens, Antônio Carlos de Araújo, sargento da reserva do Exército, aparece discutindo com o idoso e, após troca de insultos, empurra a vítima e dispara várias vezes contra ela.
De acordo com a denúncia do Ministério Público do Amapá, o crime foi premeditado.
A promotoria sustenta que a intenção era provocar o idoso até que ele reagisse, criando um cenário que permitisse alegar legítima defesa após a execução.
Júri popular e andamento do processo

Tanto Antônio Carlos de Araújo quanto Francisco Canindé da Silva foram denunciados pelo MP-AP e enviados a júri popular.
O Ministério Público considera Canindé o mandante do crime, motivado por conflitos de terras e desavenças pessoais com a vítima.
A promotoria reforça que há provas documentais, testemunhais e periciais que indicam planejamento do crime.
O caso tramita na Vara Única da Comarca de Amapá e segue sob acompanhamento direto do Ministério Público Estadual.








