Troca de estado para concorrer ao Senado é desrespeito ao povo do Amapá

Notícia publicada nesta terça-feira (4) pela revista Fórum revela um plano do agronegócio, para que Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente condenado e preso, Jair Bolsonaro (PL), venha disputar uma vaga de senador pelo estado do Amapá.
Segundo a reportagem da Fórum o agronegócio aguarda o aval do ex-presidente para que Carlos Bolsonaro ingresse na disputa sénior por uma das duas cadeiras de senador por um estado “longe do Sul”. As apostas são para a Região Norte e eles até teriam apresentado argumentos fortes para o ex-presidente condenado.
“Roraima, Bolsonaro fez 70% dos votos, mas quem preside o partido dança mais a música do Romero Jucá que dá direita, e no Amapá, Carlos pode tirar uma cadeira da esquerda, de Randolfe Rodrigues ou do isentao Alcolumbre, candidatos a reeleição ano que vem. E, assim, visto o Senado sob a perspectiva de 81 nomes termos ao final a maioria absoluta que tanto desejamos”, teria dito uma fonte ao portal de noticia o SC Agora News de Santa Catarina.
De acordo com o portal de notícias catarinense o imbróglio virou guerra em Santa Catarina por conta da indicação de Carlos Bolsonaro (PL-RJ), feita pelo seu próprio pai, para que dispute uma das vagas ao Senado Federal pelo estado, gerando uma confusão por prejudicar diretamente a deputada Carol De Toni (PL-SC) e o senador em busca da reeleição Espiridião Amin (PP-SC), políticos locais que seriam afetados pela entrada do intruso carioca.
Amapá
A notícia da candidatura pelo Amapá reacende debates sobre representatividade, legitimidade política e poder local. O que mais incomoda amapaenses, porém, não é apenas a mudança de cenário, mas o fato simbólico de que o ente federativo estaria sendo tratado como terreno político de aventureiros e aproveitadores – por alguém sem qualquer vínculo direto ou histórico de presença no estado.
Por que o Amapá se sente “invadido”
Para muitos analistas locais e lideranças, a pretensão representa uma forma de colonialismo eleitoral: “um candidato que nunca pisou aqui, que não conhece a realidade, os problemas, a geografia humana do Amapá, simplesmente desembarca e quer conquistar o voto como se estivesse fazendo turismo político”, resume um observador político da capital.
O problema é duplo:
- O Amapá tem histórico de mandatos ocupados por “forasteiros”, o que fragiliza a noção de representatividade autóctone.
- Quando isso ocorre, há o risco de negligência das pautas locais – Amazônia, povos tradicionais, transposição de ex-servidores municipais, entre tantas demandas específicas da região Norte.
O passado de “forasteiros” que o Amapá carrega
Este não é um caso isolado no estado. Exemplos históricos ajudam a ilustrar a indignação popular:
- José Sarney, maranhense, foi senador pelo Amapá em mandatos que se estenderam de 1991 a 2015.
- Henrique Almeida, paranaense e empresário de construção, também disputou mandato pelo Amapá em 1990.
Esses episódios explicam parte da desconfiança de muitos amapaenses diante de uma candidatura de “importado”.
O que está em jogo para o Amapá
- Representação verdadeira: Um senador precisa conhecer as nuances da região – dos ribeirinhos no Amapá a questões como as licenças ambientais, o arranjo público-privado da Zona Franca de Macapá/Santana, comunidades quilombolas, entre outros. Sem esse conhecimento, fala-se de “voto de exterior”.
- Legitimidade moral: A notícia de que o candidato sequer residiu no estado abre espaço para questionamentos éticos e morais sobre quem está na política para servir e quem está para “aproveitar”.
- Futuro das pautas locais: Quando o representante é “de fora”, há o risco de os interesses locais serem secundarizados em favor de agendas nacionais ou de partido, e não da população amapaense.
Conclusão
A simples possibilidade de Carlos Bolsonaro disputar o Senado por um estado onde nunca morou, depois de um histórico de “forasteiros” na política local, acende um alerta: o Amapá tem direito a uma representação que seja de dentro — e não de fora.
Não se trata apenas de “mais um candidato com ficha eleitoral invertida”, mas de um princípio de soberania estadual: o povo do Amapá merece quem o conheça, quem sofra com suas dificuldades e quem lute por suas causas — não um estrangeiro da política buscando apenas ocupar uma cadeira.








