Até o fechamento desta reportagem, nenhum dos principais nomes da base bolsonarista no estado havia se manifestado publicamente

A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada pelo ministro Alexandre de Moraes na manhã deste sábado (22), teve forte repercussão nacional — mas no Amapá, aliados políticos do ex-chefe do Executivo optaram por se manter em silêncio.
Até o fechamento desta reportagem, nenhum dos principais nomes da base bolsonarista no estado havia se manifestado publicamente sobre o caso.
Silêncio entre os aliados amapaenses
O senador Lucas Barreto (PSD), que ao longo dos últimos anos manteve alinhamento frequente com a pauta do ex-presidente, evitou, até o momento, qualquer comentário.
Na bancada federal, deputados que tradicionalmente votaram conforme as orientações do Planalto durante a gestão bolsonarista — como Vinícius Gurgel (PL) — também não emitiram declarações, seja por notas oficiais ou nas redes sociais. Nem mesmo a ex-deputada Silvia Waiãpi, aliada e cria do governo Bolsonaro, deu qualquer declaração pública até o momento.

Embora tenha assumido uma postura de neutralidade em relação ao governo federal, nos bastidores políticos comenta-se que o prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), também é eleitor do ex-presidente.
O silêncio contrasta com a intensa repercussão nacional e com a mobilização de aliados de Bolsonaro em outros estados.
A prisão
Em comunicado oficial, a Polícia Federal confirmou o cumprimento do mandado de prisão preventiva contra Bolsonaro, expedido pelo STF.
A decisão de Moraes aponta que o ex-presidente tentou violar a tornozeleira eletrônica às 0h08 da madrugada deste sábado, levantando a hipótese de que a ação poderia estar relacionada a uma tentativa de fuga.
Outro ponto destacado foi a convocação de uma vigília feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) na noite anterior, em frente à casa onde o pai cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto. Segundo o ministro, o ato poderia gerar tumulto e “facilitar eventual tentativa de fuga do réu”.
Audiência de custódia e novas regras
Moraes determinou a realização de uma audiência de custódia neste domingo (23), por videoconferência, diretamente da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal.
A decisão também exige:
- atendimento médico integral ao ex-presidente;
- que todas as visitas sejam previamente autorizadas pelo STF, exceto as feitas por advogados e pela equipe médica.
Pedido da defesa
A defesa de Jair Bolsonaro protocolou, ainda na sexta-feira (21), um pedido para que o STF conceda prisão domiciliar humanitária, alegando que o ex-presidente possui doenças crônicas e necessita de “acompanhamento médico intenso”.
O objetivo dos advogados é evitar que Bolsonaro seja transferido para o presídio da Papuda, em Brasília.
Condenação e execução da pena
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal do Núcleo 1 da trama golpista, tornando-se réu ao lado de outros investigados por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Segundo o STF, a pena pode começar a ser executada nas próximas semanas. Ele já estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, após descumprir medidas cautelares como:
- uso correto da tornozeleira eletrônica;
- proibição de acessar embaixadas e consulados;
- impedimento de contato com autoridades estrangeiras;
- restrição total ao uso de redes sociais, direta ou indiretamente.
Expectativa no cenário político amapaense
A ausência de manifestações dos aliados locais evidencia o constrangimento político provocado pela prisão e pela iminente execução da pena.
Enquanto a base bolsonarista nacional se divide entre notas de repúdio e discursos de prudência, no Amapá a estratégia, ao menos por ora, parece ser o silêncio calculado.








