Os dados são do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, divulgado em abril pela Faculdade de Medicina da USP

O Brasil tem uma média nacional de 94,72 pediatras para cada 100 mil habitantes de até 19 anos, mas a distribuição desses profissionais é desigual entre as regiões. Estados do Sul e Sudeste, como Rio Grande do Sul e São Paulo, e também o Distrito Federal, no Centro-Oeste, apresentam pelo menos cinco vezes mais pediatras por Criança e adolescente do que estados do Norte e Nordeste , como Amapá, Amazonas, Acre, Pará e Maranhão, que são os cinco com menor cobertura.
O Maranhão tem a menor oferta, com apenas 27,98 pediatras para cada 100 mil crianças e adolescentes, seguido por Pará (28,74), Acre (33,35), Amazonas (37,48) e Amapá (38).
Na outra ponta o Distrito Federal lidera com a maior proporção, registrando 258,35 pediatras para cada 100 mil habitantes de até 19 anos, considerando a população jovem estimada em 54,5 milhões. Em seguida, vêm Rio de Janeiro (147,85), Espírito Santo (140,15), São Paulo (136,08) e Rio Grande do Sul (126,03).
Os dados são do estudo Demografia Médica no Brasil 2025, divulgado em abril pela Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), que mostra que o país contava com 47.787 pediatras ativos em 2024. Apesar disso, o total de registros na especialidade chega a 51.628, pois cerca de 3.841 médicos (8% do total) possuem mais de um registro em diferentes Conselhos Regionais de Medicina (CRMs) ou unidades da Federação.

Além da desigualdade regional, o estudo aponta que os pediatras se concentram na rede privada, especialmente nas regiões com maior oferta, o que dificulta o acesso para quem depende do SUS (Sistema Único de Saúde). Esse padrão também se observa em outras especialidades médicas, como ginecologia e obstetrícia.
Para o pediatra Eduardo Jorge Lima, conselheiro no CFM (Conselho Federal de Medicina), o principal desafio não é a ausência de profissionais no mercado, mas a forma como estão distribuídos. “O Brasil tem um número considerável de pediatras, mas há uma concentração nos grandes centros urbanos e na rede privada, o que deixa vastas áreas do país com cobertura insuficiente”, afirma.
Residência médica tenta reduzir desigualdade regional
Felipe Proenço, secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, diz que o Ministério da Saúde reconhece a desigualdade na distribuição de pediatras pelo país e que a pasta participou do estudo Demografia Médica no Brasil para identificar os problemas no país.

Entre as estratégias do Ministério da Saúde para ampliar a presença de pediatras, Proenço destaca o investimento em programas de residência médica. “O pró-residência foi criado para enfrentar essas desigualdades. Ao ser retomado em 2023, priorizou a pediatria. Todas as solicitações de novos programas ou ampliação na Amazônia Legal foram contempladas.”
Na quarta-feira (23), o Ministério da Saúde anunciou um conjunto de medidas voltadas à formação de especialistas para atuar na Atenção Especializada, uma das áreas mais críticas do SUS. Entre as ações, estão a oferta de 1.700 vagas para qualificação de médicos em regiões com escassez de profissionais, a abertura de mil novas bolsas de residência multiprofissional, além de incentivos à preceptoria e à formação em áreas como oncologia.








