Dados do Anuário VacinaBR mostram, por exemplo, que aquelas vacinas que requerem mais de uma dose sofrem com o problema do abandono

O Brasil enfrenta uma queda contínua e generalizada nas coberturas vacinais infantis desde 2015 e o cenário foi intensificado a partir de 2020, embora o ano de 2023 tenha começado a apresentar melhoras, segundo conclusão do Anuário VacinaBR 2025, elaborado pelo Instituto Questão de Ciência (IQC) com apoio da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e parceria do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
De acordo com o Anuário VacinaBR 2025, a região Norte demonstra ser a mais vulnerável do país. “No Norte se concentram os menores índices de cobertura para sarampo, caxumba, rubéola, varicela e poliomielite. Estados como Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima apresentam os piores resultados em abandono vacinal e na aplicação de segundas doses”, afirma o documento.
“Os dados do Anuário VacinaBR mostram, por exemplo, que aquelas vacinas que requerem mais de uma dose sofrem com o problema do abandono. Mutas crianças que tomaram a primeira dose não completaram o esquema vacinal, deixando de receber a segunda ou terceira dose. Este é um público que aparentemente não foi influenciado pelo movimento antivacina, que quer se vacinar, tanto que aderiu à primeira dose, mas que, por algum motivo, não completou a sua imunização”, disse ao Valor Paulo Almeida, diretor-executivo do IQC.
Em relação ao aumento do movimento antivacina no Brasil que ganhou força durante a pandemia de covid19, quando o então presidente Jair Bolsonaro colocou a eficácia de vacinação sob suspeita, Almeida diz que é difícil estabelecer uma casualidade direta entre um único fator e a queda de cobertura. No entanto, segundo ele, “é razoável supor que a disseminação de um discurso antivacina mina a credibilidade nas políticas de vacinação e aumenta a hesitação vacinal”.








