Artigo: O Bailique desaba — e a gente sente

Vi as imagens e li a mensagem do querido amigo Paulo Rocha com os olhos marejados

*João Capiberibe

“Esse desabamento aconteceu ontem (21/12), lá na Vila Progresso, pela manhã, à luz do dia: a casa da nossa amiga Mara, filha do Cobra, lá do Livramento. Não tinha ninguém na casa — ela está aqui em Macapá. A casa virou, como mostra a imagem. Não deu pra salvar nada, como dá pra ver no vídeo. Eu, inclusive, assisti do barco: eu estava bem próximo desse local, no barco em que vim de Macapá pra cá ontem.”

Recebi o vídeo e a mensagem do Paulo às 12h24 de 22/12, menos de vinte e quatro horas depois de termos retornado do Bailique. E, embora a oficina na arte de fazer AçaíTinto, realizada no Arraiol, tenha sido um sucesso — com gente aprendendo, se animando e acreditando em novas possibilidades — eu voltei com o coração apertado. Voltei sentindo, por dentro, o peso dessa tragédia contínua que atinge o povo do Bailique: a terra cedendo, as casas indo embora, a vida sendo revirada de um instante para o outro.

Atenção, autoridades! O Arquipélago do Bailique está desaparecendo diante dos nossos olhos — e do vosso silêncio. Cada desabamento não é “mais um caso”: é um pedaço do território que some, é uma família que perde tudo, é um aviso gritante de que a emergência já chegou.

O Bailique não pode continuar sendo tratado como notícia passageira. Precisa de resposta, presença do Estado e ações concretas — agora.

*João Capiberibe ex-senador e ex-governador do Amapá

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