Base de sustentação do ex-prefeito Antônio Furlan já não demonstra a mesma coesão

A votação realizada na Câmara Municipal de Macapá que aceitou a denúncia para abertura de processo de investigação contra o vice-prefeito Mário Neto revelou um novo cenário político na capital amapaense: a base de sustentação do ex-prefeito Antônio Furlan já não demonstra a mesma coesão que marcou os anos anteriores de sua gestão.
Mesmo com Mário Neto afastado do cargo por decisão judicial, os vereadores decidiram admitir a denúncia que pode resultar na cassação do mandato do vice-prefeito. O placar final foi de 14 votos favoráveis contra 6 contrários, autorizando a abertura do processo político-administrativo na Câmara.
O resultado da votação chamou atenção principalmente pelo comportamento de parlamentares que, até pouco tempo, integravam a base de apoio do grupo político liderado por Furlan. Os vereadores Marcelo Dias, Luanna Serrão e Maraína Martins, considerados aliados do ex-prefeito, não compareceram à sessão, o que acabou facilitando a aprovação do recebimento da denúncia.
Investigação envolve recursos do Hospital Municipal
A denúncia apresentada aos vereadores atribui a Mário Neto responsabilidade em possíveis irregularidades relacionadas à obra do Hospital Municipal de Macapá, além de questionamentos sobre movimentações financeiras envolvendo a MacapaPrev.
Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam suspeitas de desvio de recursos destinados à obra hospitalar, que teriam sido direcionados para contas ligadas ao ex-prefeito Antônio Furlan e à ex-primeira-dama Rayssa Cadena, fatos que ainda estão sob apuração.

Com a aceitação da denúncia, a Câmara poderá instaurar uma comissão processante, responsável por conduzir o processo que poderá culminar na cassação do mandato do vice-prefeito.
Enfraquecimento político após queda de Furlan
Nos bastidores políticos, a votação é interpretada como um sinal claro de enfraquecimento do grupo político que sustentava a gestão de Furlan na Câmara Municipal.
Durante seu mandato, o então prefeito mantinha forte influência sobre a maioria dos vereadores da capital, o que garantia relativa estabilidade política ao Executivo municipal. No entanto, o afastamento determinado pela Justiça e a posterior renúncia de Furlan parecem ter alterado significativamente esse equilíbrio.
A ausência de vereadores considerados aliados na votação que autorizou a investigação contra o vice-prefeito é vista por analistas políticos como um indicativo de que parte da antiga base governista começa a se afastar do grupo político do ex-prefeito.
Impacto na disputa pelo governo do Amapá
A mudança de postura na Câmara pode ter reflexos diretos no cenário eleitoral de 2026. Furlan é apontado como pré-candidato ao governo do Amapá, e seu principal núcleo de apoio político sempre esteve concentrado justamente na capital, especialmente entre vereadores de Macapá.
Com a abertura da investigação contra o vice-prefeito e a fragmentação da antiga base aliada, cresce a avaliação de que a saída de Furlan da prefeitura tende a isolar ainda mais seu projeto eleitoral, enfraquecendo o grupo político que lhe dava sustentação institucional.
A votação desta semana, portanto, não apenas abriu caminho para um processo que pode resultar na cassação de Mário Neto, como também expôs publicamente as primeiras fissuras na estrutura política que durante anos orbitou em torno do ex-prefeito de Macapá.








