Brasileiro que protegeu alunos de ataque no Canadá já esteve em Oiapoque

O professor brasileiro se escondeu com alunos do ataque a tiros que deixou nove mortos em uma escola no Canadá

Professor do interior de São Paulo, Jarbas Noronha foi de bicicleta do Vale do Paraíba ao Alasca; na foto, durante a viagem, em Oiapoque (AP), em 1993 – Jarbas Noronha no Facebook

O professor brasileiro que se escondeu com alunos do ataque a tiros que deixou nove mortos em uma escola no Canadá, na terça-feira (10), dá aulas de ciência com engenhocas que fabrica e usa a história de quando pedalou do interior de São Paulo ao Alasca para despertar a curiosidade e conquistar a atenção de seus estudantes.

Estudou arquitetura na USP no fim dos anos 1980, mas largou o curso para viajar de bicicleta até o Alasca. A viagem durou um ano, quatro meses e 25 dias contados, de fevereiro de 1993 a julho de 1994. , Jarbas Noronha foi de bicicleta do Vale do Paraíba ao Alasca. Durante a viagem esteve em Oiapoque (AP), em 1993.

A bicicleta usada na viagem era toda adaptada e pesava quase o equivalente ao peso corporal do professor à época. Entre as rotinas relatadas estavam as de escovar os dentes enquanto pedalava e reunir reportagens de jornais sobre sua história por onde passava para facilitar o processo de obtenção de vistos dos próximos países no roteiro. A maioria das estadas era na casa de nativos simpatizantes com o jovem.

Atentado

Na tarde de terça, ele e os alunos canadenses ficaram mais de duas horas na oficina até que policiais bateram à porta e os escoltaram. Noronha só soube da dimensão do ataque ao chegar em casa, por volta das 19h. A sala atingida foi a do 7º ano, os alunos mais jovens. A biblioteca, segundo ele, ficou destruída.

“Todos os meus alunos saíram fisicamente bem. Emocionalmente foi muito forte pra eles, porque enquanto tudo estava ocorrendo eles estavam usando o celular. Eu autorizei, queria que se comunicassem com os pais,” diz.

“Mas ao mesmo tempo eles estavam entrando em contato com outros alunos escondidos em outros lugares da escola, e eventualmente algumas fotos muito gráficas [impactantes] passaram pelos celulares. Eu tentava que eles não ficassem compartilhando muita informação negativa, porque eu não queria que entrassem em pânico.”

Noronha só soube da dimensão do ataque ao chegar em casa, por volta das 19h

História

Natural de Mogi das Cruzes (SP), Noronha lecionou no Colégio Poliedro, em São José dos Campos, nos anos 2010, onde dava aulas de ciência para turmas do ensino fundamental. Alunos e colegas o apelidaram de “Professor Pardal”, referência ao personagem inventor dos quadrinhos da Disney, e suas aulas eram aguardadas como momento de descompressão.

Fazia foguetes de garrafa PET e ar comprimido, entrava em um aquário para que os estudantes calculassem o deslocamento de água, fabricava catapultas, produzia labaredas dentro da sala de aula para demonstrar vibração do som e montava planetários motorizados em miniatura.

Trabalhou como marceneiro no Alasca de 1997 a 2000. De volta ao Brasil, fundou em 2005 a Bicho Carpinteiro, uma marcenaria em Monteiro Lobato especializada em brinquedos de madeira. Organizava mutirões para fabricar brinquedos que eram distribuídos no Natal.

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