Candidatos “enrolados em esquemas” lideram pesquisa do instituto Paraná no Amapá

Aliado político direto de Furlan, o senador Flávio Bolsonaro também carrega um histórico recente de acusações graves

Com candidatos liderando pesquisas mesmo sob suspeitas de denuncias graves, o debate tende a se intensificar

O mais recente levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado nesta semana, revela um cenário que chama atenção no Amapá: nomes cercados por denúncias, investigações e controvérsias políticas aparecem na dianteira da disputa eleitoral de 2026.

De acordo com a sondagem, o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan (PSD), lidera a corrida ao Governo do Estado nas intenções de voto no cenário estimulado.

No cenário nacional, aliado político do mesmo campo ideológico, o senador Flávio Bolsonaro, também desponta na corrida a presidência da República, na frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo a mesma pesquisa.

Liderança nas pesquisas, sombra de denúncias

A pesquisa mostra Furlan como favorito no Amapá, mas o dado político vem acompanhado de um contexto delicado.

Nos bastidores e no noticiário, o nome do ex-prefeito tem sido associado a investigações que envolvem suspeitas de irregularidades na gestão municipal, especialmente em áreas sensíveis como contratos públicos, saúde e previdência municipal — temas que vêm sendo alvo de apurações e operações policiais recentes no estado.

Especialistas na área do direito dizem que as acusações contra o ex-prefeito são gravíssimas e falam na possibilidade de medidas mais gravosas por parte da polícia federal contra o prefeito, no caso de uma terceira faze da operação Paroxismo.

Segundo a PF empresas ligadas ao prefeito e a primeira-dama, Rayssa Furlan, teriam recebido mais de R$ 3 milhões em depósitos suspeitos. Os recursos teriam sido desviados das obras de construção do Hospital Geral de Macapá.

Ainda que os processos sigam em tramitação e garantam direito à ampla defesa, o fato é que o avanço eleitoral ocorre paralelamente ao acúmulo de questionamentos sobre a gestão de recursos públicos.

O cenário revelado pela pesquisa expõe uma contradição evidente: eleitores que se opõe ao PT em razão das denúncias de corrupção contra o partido, apoiando candidatos respondendo por denúncias graves

Flávio Bolsonaro e as investigações

Aliado político direto de Furlan, o senador Flávio Bolsonaro também carrega um histórico recente de acusações graves.

Bolsonaro já se viu envolvido em um suposto esquema de “rachadinha”, quando há o desvio irregular de parte dos salários dos funcionários do gabinete.

E também figurou em polêmicas ao longo de sua carreira político e empresarial, como a compra de uma mansão de luxo por R$ 6 milhões e a condecoração do miliciano Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio.

Em 2020, ele chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ) anulou a quebra de sigilo do senador em 2021. Isso enfraqueceu a acusação, levando-a ao arquivamento.

Movimentação atípica e loja de chocolates

Em 2018, um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta do ex-assessor do então deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL) Fabrício Queiroz, durante o período em que o “zero um” ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

Entre 2007 e 2018, o dinheiro, segundo os promotores, era lavado com aplicação em uma loja de chocolates em um shopping no Rio de Janeiro, que já foi alvo de busca e apreensão.

Aliança política sob pressão

Furlan e Bolsonaro integram o mesmo campo político e compartilham alinhamento ideológico, o que projeta no Amapá um palanque nacionalizado, conectando a disputa estadual ao cenário político brasileiro.

Esse alinhamento, no entanto, também transfere desgaste.

Para analistas, a associação entre lideranças locais e figuras nacionais investigadas pode influenciar o debate eleitoral, sobretudo em um momento em que a opinião pública se mostra cada vez mais sensível a temas como corrupção, uso de recursos públicos e integridade na gestão.

Contradição nas urnas

O cenário revelado pela pesquisa expõe uma contradição evidente: eleitores que se opõe ao PT em razão das denúncias de corrupção contra o partido, apoiando candidatos respondendo por denúncias graves.  

A combinação levanta um questionamento central para 2026: até que ponto denúncias e escândalos impactam — ou deixam de impactar — o comportamento do eleitor?

O peso das escolhas

No Amapá, a eleição para o Governo do Estado começa a ganhar contornos não apenas administrativos, mas também éticos e institucionais.

Com candidatos liderando pesquisas mesmo sob suspeitas, o debate tende a se intensificar — e deve colocar no centro da disputa não apenas propostas, mas o histórico e a credibilidade de quem pretende governar.

Enquanto isso, nas ruas e nas redes, cresce a cobrança por transparência: o eleitor quer saber quem são — e o que representam — os nomes que lideram as pesquisas.

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