
A Polícia Civil do Amapá prendeu nesta terça-feira (12) cinco policiais militares — quatro em Macapá e um em Laranjal do Jari — e um garimpeiro suspeitos de envolvimento na chacina que vitimou oito homens na região do Vale do Jari, na divisa com o Pará.
O delegado-geral da Polícia Civil do Amapá, Cézar Vieira, falou em coletiva por que o caso, ocorrido a cerca de 260 metros do território amapaense, passou a ser coordenado pela polícia do estado:
“O fato em si, ele ocorre às margens do Rio Jari, ao lado do município do Pará, a 260 metros aproximadamente do estado amapaense. (…) É por esse fato que tomamos a coordenação da investigação, a Polícia Judiciária do estado amapaense, com esse apoio, com esse trabalho em conjunto com as demais forças, para que não ficasse nenhuma dúvida acerca do ocorrido.”
Vieira ressaltou ainda que a decisão foi respaldada pelo Ministério Público e pelo Judiciário do Amapá, que autorizaram as prisões preventivas e mandados de busca e apreensão para preservar as provas.
O delegado Breno Pimentel, que preside o inquérito, detalhou como as investigações avançaram desde o desaparecimento das vítimas:
“Desde que a gente foi sabendo do sumiço deles, a gente começou a se movimentar da região de Jari, para tentar esclarecer o que tinha ocorrido. Logo em seguida, descobrimos que os carros tinham sido queimados (…). Em algumas semanas conseguimos avançar bastante na investigação para chegar até aqui.”
Segundo ele, a principal hipótese é de que os suspeitos aguardavam o grupo durante o retorno de uma negociação de terras, momento em que o crime foi cometido.
“Quando eles estavam voltando, estariam pessoas esperando, e ali teria ocorrido o crime. (…) O sobrevivente não estava no momento da execução, ele ficou em um galho no morro e não presenciou o fato.”
As autoridades afirmam ter reunido provas e indícios suficientes para apontar os presos como autores diretos das execuções.
“Eles são os principais autores do crime. (…) Temos convicção formada da participação desses acusados. A partir de agora, com os interrogatórios e novas diligências, vamos avançar ainda mais na investigação”, afirmou Vieira.
Além dos PMs, um garimpeiro que atuava como piloto de voadeira no município também foi preso. O coronel Paulo Matias, comandante-geral da PM, disse que os militares responderão internamente:
“A Corregedoria vai abrir o devido processo legal para fazer o sancionamento interno dentro da Polícia Militar.”
As buscas localizaram as oito vítimas em diferentes pontos da região, agrupadas em pares e dispostas às margens do Rio Iratapuru. O Corpo de Bombeiros atuou no resgate, e os corpos foram encaminhados para perícia antes da liberação às famílias.
Vieira reforçou que o trabalho de apuração não terminou:
“O nosso objetivo principal é esclarecer toda a verdade numa linha do tempo, sem deixarmos ninguém de fora. Qualquer um que tenha participado vai integrar a investigação e responder judicialmente por sua conduta.”
A motivação do crime ainda não foi confirmada oficialmente. A polícia mantém várias linhas de investigação, incluindo a possível participação de um suposto mandante.








