
A Polícia Civil do Amapá investiga uma chacina que vitimou seis homens no sul do estado, na região do Vale do Jari, próxima à divisa com o Pará. A principal linha de investigação aponta que os garimpeiros teriam sido mortos por engano, após serem confundidos com criminosos envolvidos em um roubo recente a um garimpo na região.
Na manhã desta sexta-feira, (8) O delegado-geral da Polícia Civil do Amapá, Cézar Vieira, detalhou o caso em coletiva de imprensa. No domingo, 3 de agosto, o grupo saiu de Laranjal do Jari para negociar a compra de terras no lado paraense. Eles deixaram duas caminhonetes na divisa e seguiram de barco por uma região de mata fechada. Na segunda-feira, 4 de agosto, informaram às famílias que retornariam, depois disso, não houve mais comunicação.

Na quarta-feira, 6 de agosto, após as famílias denunciarem o desaparecimento na delegacia de Laranjal do Jari, a polícia encontrou as duas caminhonetes incendiadas em um ramal no Pará. Uma força-tarefa, formada por policiais civis, militares e o Grupamento Tático Aéreo, com apoio da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá, localizou os seis corpos espalhados às margens do Rio Iratapuru. Um sétimo integrante do grupo, que escapou escondendo-se na mata, foi resgatado e prestou depoimento, ajudando a esclarecer a dinâmica do crime.

“Os homens não tinham envolvimento com atividades criminosas. A principal hipótese é que foram confundidos com responsáveis por um roubo recente em um garimpo da região”, afirmou Vieira. As vítimas, trabalhadores do setor de garimpo, residiam em Macapá, Laranjal do Jari e no distrito de Lourenço, em Calçoene. Sem antecedentes criminais, eram conhecidos como pais de família e figuras respeitadas em suas comunidades, segundo o delegado.
A polícia também descarta envolvimento das vítimas no crime, uma vez que, a pessoa que foi mostrar a área para vender também é uma das seis vítimas encontradas.
Por ocorrer em território paraense, a investigação é conduzida em parceria com as forças de segurança do Pará, mas a Polícia Civil do Amapá mantém uma equipe ativa no caso. Os suspeitos estão sendo identificados, embora seus nomes permaneçam em sigilo para proteger as apurações. “Estamos comprometidos em esclarecer o crime, desde possíveis mandantes até os executores, para garantir justiça às famílias e à sociedade”, reforçou o delegado.
Segundo o delegado, a Polícia Civil já tem pistas sobre os possíveis mandantes e executores do crime, mas continua investigando as circunstâncias e deve divulgar novos desdobramentos em breve.
“Nós já temos aí algumas pessoas, né, como suspeitos, ainda não se fala em prisão justamente por questão legal e também para preservação das investigações, que não tenhamos nenhum tipo de prejuízo aí para total elucidação do fato.”
Vítimas
Entre estas vítimas identificadas estão: Gustavo Gomes Pereira, Dhony Dalton Clotilde Neres, Janio Carvalho de Castro
Antônio Paulo da Silva Santos (aproximadamente 60 anos), Luciclei Caldas Duarte (piloto de voadeira, de 40 anos)
Elison Pereira de Aquinos (23 anos).








