Círio de Nazaré em Macapá: 91 anos de fé e devoção

Parte da história atribui a primeira procissão a iniciativa de Éster Levy; há ainda registros que citam a professora Raimunda “Guita”

O Círio de Nazaré de Macapá é, há quase um século, o maior cortejo religioso da capital amapaense. A primeira procissão ocorreu em 1934, organizada pelas religiosas das Filhas do Coração Imaculado de Maria com apoio de Éster Benoniel Levy, então primeira-dama do município, gesto que enraizou na cidade a devoção mariana já tradicional em Belém do Pará. Desde então, a romaria tornou-se referência de fé, cultura e solidariedade na Amazônia, celebrando em 2025 sua 91ª edição sob coordenação da Diocese de Macapá.

Igreja matriz de São José de Macapá

Parte da memória oral atribui a iniciativa diretamente a Éster Levy; há ainda registros que citam a professora Raimunda “Guita” como protagonista de uma primeira organização naquele ano. Como não havia imgaem da santa a imagem utilizada foi de Nossa Senhora da Conceição. Apesar das nuances, as narrativas convergem para 1934 como marco inaugural.

Era 6 de novembro e a procissão conduziu a imagem da igreja de São José para a residência de Cesário dos Reis Cavalcante e depois novamente até a matriz de São José.

Praça Veiga Cabral em frente a igreja matriz

De Belém à margem do Amazonas: a origem da devoção

A inspiração histórica remete ao Círio de Belém (1793), nascido da lenda do encontro da imagem de Nossa Senhora de Nazaré por Plácido José de Souza às margens do igarapé Murutucu — narrativa que difundiu a devoção por toda a região amazônica e moldou símbolos e ritos que Macapá também incorporou: berlinda, promessas, corda e romarias.

Símbolos, personagens e ritos em Macapá

A procissão macapaense leva a imagem de Nossa Senhora de Nazaré em berlinda enfeitada, seguida por promesseiros que pagam graças alcançadas — muitos carregando objetos que representam pedidos e agradecimentos (miniaturas de casas, cartazes e ex-votos). A corda do Círio, abençoada na Missa dos Promesseiros, permanece como um dos gestos mais emocionantes do cortejo, símbolo de esforço e pertença comunitária.

Percursos e números

A romaria sai do Santuário de Fátima e encerra na Praça Veiga Cabral, no Centro — um roteiro que reforça a integração entre bairros e marcos da cidade. As estimativas de público situam o Círio de Macapá na casa das centenas de milhares de fiéis, com relatos de mais de 200 mil participantes em anos recentes e menções a cerca de 250 mil pessoas ao longo da programação.

Quem faz o Círio acontecer

Além da Diocese e das paróquias, o Círio mobiliza pastorais, voluntários, promesseiros, guardiões da berlinda, corais e equipes de apoio (água, saúde e trânsito). É um esforço logístico e espiritual que envolve meses de preparação e que, a cada edição, renova o pacto da cidade com sua padroeira amazônica. Os temas anuais — como o de 2025 (“Maria, Mãe dos Peregrinos da Esperança”) — dão unidade catequética às celebrações, que incluem novenas, traslados, missas campais e ações sociais.

Por que o Círio importa

Mais do que um evento, o Círio de Nazaré em Macapá é um marco de identidade: reúne famílias, ribeirinhos, migrantes, atletas da fé que puxam a corda, idosos que acompanham da calçada e crianças que aprendem a tradição. É religião, mas também patrimônio afetivo e cultural, herança que chegou com missionários e leigos e foi apropriada pela cidade a partir de 1934 — um Círio com sotaque amapaense, moldado pelo vento do Amazonas e pela força de quem caminha em comunhão.

Fontes: Diocese de Macapá (programação e histórico), registros da Prefeitura e da Agência Municipal de Notícias (90ª e 91ª edições), material educativo sobre a origem do Círio em Belém e estudos culturais do IPHAN sobre a devoção a Nossa Senhora de Nazaré.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!