Consumo de energia dispara em Oiapoque e empresa pede reajuste de até 146% no preço da eletricidade excedente

Crescimento da demanda já supera a capacidade contratada para abastecer o município. Voltalia solicita ao Ministério de Minas e Energia autorização para cobrar valor maior pela geração adicional com óleo diesel

A solicitação foi apresentada pela Oiapoque Energia, subsidiária da Voltalia, responsável pelo fornecimento ao sistema isolado do município

O crescimento do consumo de energia elétrica em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, levou a empresa responsável pelo abastecimento do município a solicitar ao Ministério de Minas e Energia (MME) uma revisão contratual para cobrir os custos da geração adicional de eletricidade.

A solicitação foi apresentada pela Oiapoque Energia, subsidiária da Voltalia, responsável pelo fornecimento ao sistema isolado do município. Segundo reportagem publicada pelo portal especializado MegaWhat, na quarta-feira (14), a empresa argumenta que a demanda já ultrapassou o volume previsto no contrato firmado em 2015 e continuará aumentando nos próximos anos.

O pedido envolve uma diferença significativa de preços. Enquanto o valor contratual informado para o segundo período de fornecimento é de R$ 1.149,36 por megawatt-hora (MWh), a empresa pretende receber aproximadamente R$ 2.834,04 por MWh pela energia produzida além do limite contratado.

A diferença representa um aumento de aproximadamente 146,6% no preço da energia excedente, caso a solicitação seja aceita.

A proposta não significa, entretanto, um reajuste automático de 146,6% nas contas de luz dos consumidores. O pedido trata da remuneração contratual da energia adicional, cujos efeitos tarifários dependerão das regras de custeio e das decisões dos órgãos competentes.

Consumo de energia já ultrapassou o limite contratado

O contrato firmado em 2015 entre a Oiapoque Energia e a antiga Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), atualmente Equatorial Amapá, estabelece o fornecimento anual de 52.700 MWh.

Entretanto, esse volume já não atende à demanda registrada no município.

Em 2025, o consumo alcançou 56.897 MWh, superando o limite contratual em 4.197 MWh.

Para 2026, a estimativa apresentada pela empresa é de 59.771 MWh, o que representa um excedente de 7.071 MWh.

Isso significa que a demanda projetada para este ano está aproximadamente 13,4% acima do volume contratado.

Os números mostram que o crescimento do consumo não é apenas uma possibilidade futura. A necessidade de energia adicional já faz parte da realidade do município.

Segundo a empresa, o excedente precisa ser atendido por uma usina termelétrica movida a óleo diesel, cuja geração apresenta custos mais elevados.

A utilização dessa fonte adicional também amplia a dependência de combustível fóssil para garantir o abastecimento da população.

Demanda deve continuar crescendo até 2035

As projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), citadas pela Voltalia, indicam que o consumo de eletricidade em Oiapoque continuará aumentando.

A estimativa é de que a demanda alcance:

AnoDemanda projetada
202556.897 MWh — registrado
202659.771 MWh
202761.811 MWh
202863.859 MWh
202965.911 MWh
203067.349 MWh
203573.926 MWh

Se as projeções se confirmarem, o consumo poderá alcançar em 2035 um volume aproximadamente 40% superior ao limite anual estabelecido no contrato de 2015.

Os dados reforçam a necessidade de planejamento para ampliar a capacidade de fornecimento e reduzir a dependência da geração termelétrica mais cara.

O crescimento também exige atenção à confiabilidade do sistema, especialmente diante da possibilidade de expansão das atividades econômicas no município.

Exploração de petróleo aumenta preocupação com infraestrutura de Oiapoque

O crescimento da demanda energética ocorre em um momento estratégico para Oiapoque e para o Amapá.

A perspectiva de desenvolvimento da indústria petrolífera na Margem Equatorial brasileira tem colocado o município no centro das discussões sobre infraestrutura, logística e geração de empregos.

Segundo o MegaWhat, a própria Oiapoque Energia relaciona a tendência de crescimento do consumo à expectativa de desenvolvimento das atividades petrolíferas e de aceleração da economia regional.

A instalação de novas empresas, a ampliação de serviços, a construção de estruturas logísticas e o aumento da circulação de trabalhadores poderão elevar ainda mais a necessidade de energia elétrica.

Entretanto, é importante distinguir as projeções econômicas da demanda já registrada: os dados apresentados não demonstram que o crescimento atual do consumo tenha sido provocado diretamente pela exploração de petróleo.

A perspectiva de expansão do setor reforça, contudo, a importância de preparar o município para possíveis novos investimentos.

Sem infraestrutura energética adequada, o crescimento econômico poderá enfrentar limitações, com aumento de custos e riscos ao abastecimento.

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