A previsão é que o Amapá dê um salto de 150% e chegue ao topo da lista entre as unidades da federação com 238,4 litros

No ritmo atual de aumento de consumo e de perdas na distribuição, o Brasil pode precisar de um acréscimo de aproximadamente 60% no volume de água tratada em 2050. Por outro lado, o impacto das mudanças climáicas nas chuvas pode levar a restrições, com 12 dias de racionamento por ano em média no país —problema que pode chegar a 30 dias em regiões como Norte e Nordeste.
As projeções são de um estudo encomendado pelo Instituto Trata Brasil e feito pela Ex Ante Consultoria Econômica, divulgado nesta terça-feira (28).
Segundo o referido estudo, atualmente o Amapá oculpa a penúltima posição no ranking nacional no consumo total de água entre as 27 unidades da federação, a frente apenas de Roraima e Acre, e a 21° posição no consumo diário. O susto porém ocorre com a previsão de crescimento de consumo de água no Amapá nos próximo anos. De acordo com o mesmo estudo em 2050, a previsão é que o Amapá dê um salto de 150% e chegue ao topo da lista com 238,4 litros, seguido pelo Rio de Janeiro.


Os cálculos também estimam como o aumento da tempera pode impactar no uso de água tratada. Para cada 1°C a mais nas cidades, o consumo pode crescer 24,9% até 2050. O levantamento usa como base de comparação o ano de 2023.
Além disso, o instituto projeta que as alterações na frequência e no volume de chuvas causem uma redução anual de 3,4% na oferta de água no país. Este é o fator usado para calcular os dias de racionamento.
Dados no geral
O instituto também projeta um incremento de 0,96% no consumo a cada 1% no aumento da população. Segundo o IBGE, o país deve atingir o pico de crescimento em 2041, com 217,6 milhões de habitantes, antes de iniciar a queda.
O estudo aponta ainda que o crescimento econômico também pode levar a um aumento da demanda, já que o consumo de água tende a crescer com a renda. A própria universalização do saneamento, com distribuição regularizada de água e tratamento de esgoto, também indica um aumento.
Segundo a presidente do Trata Brasil, Luana Pretto, o principal desafio é equilibrar o aumento do consumo com a redução da oferta. Uma forma de ajudar na tarefa é reduzir as perdas. “E se tenho perda nesse processo, isso afeta todo o equilíbrio. Então, é uma forma de a gente conseguir melhorar a eficiência e conseguir melhorar essa oferta. Se sou mais eficiente na agricultura usando menos água, isso melhora o equilíbrio naquela bacia hidrográfica. Se estou utilizando água de reúso, consigo recarregar aquífero e diminuo um pouco o consumo.”
Para além de obras para redução de perdas e melhorias na eficiência de sistemas e do reuso de água, a executiva também vê uma necessidade de políticas mais integradas nas cidades, de obras de infraestrutura à conservação de florestas e à ocupação nas cidades.
“Se nós chegarmos a esse cenário crítico [em 2050], teremos regiões sem água suficiente para as atividades diárias. É claro que regiões como São Paulo, que têm feito obras e buscado interligação entre diferentes bacias, conseguem mitigar os impactos”, diz a executiva. “Mas há regiões no Brasil em que a população não tem acesso a água tratada. Isso exige investimentos e planejamento, o que, em grande parte das regiões brasileiras acaba não acontecendo.”








