Crise do lixo: acúmulo de resíduos toma conta das ruas de Macapá e Furlan não se manifesta

A situação, que já perdura há semanas, tem causado preocupação com riscos sanitários e ambientais

Embora a prefeitura não admita, nos últimos dois meses Macapá  vive uma crise crescente na coleta de lixo urbano. Montanhas de sacos de resíduos domésticos, restos de alimentos, entulhos e até objetos volumosos como móveis e eletrodomésticos têm se acumulado nas calçadas, esquinas e canteiros de bairros centrais e periféricos de Macapá. A situação, que já perdura há semanas, tem causado indignação entre os moradores e preocupação com riscos sanitários e ambientais.

Vídeos compartilhados nas redes sociais e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, mostram a irregularidade no serviço de coleta de lixo e a realidade enfrentada pela população em diversos bairros: sacos rasgados por urubus e cães, mau cheiro, proliferação de insetos e obstrução de passagens públicas. Em alguns pontos, o lixo toma conta de calçadas inteiras, dificultando a circulação de pedestres e o tráfego de veículos.

Até mesmo em prédios públicos, como na Unidade Básica de Saúde do Bairro Perpétuo Socorro, o lixo vem se acumulando, colocando ainda mais em risco a saúde da população carente que procura por atendimento na rede pública.

(Vìdeo)

População cobra resposta da prefeitura

A insatisfação popular tem ganhado força. Moradores denunciam que a prefeitura de Macapá reduziu a frequência das coletas e, em alguns bairros, simplesmente suspendeu o serviço sem qualquer aviso prévio. “Aqui no bairro Pacoval já estamos há mais de 10 dias sem ver um caminhão da coleta. É um absurdo, o lixo está invadindo a frente das casas”, relata dona Maria Lúcia, moradora da zona norte.

O problema vem ocorrendo em praticamente todos os bairros de Macapá, com destaque para o acumulo de lixo no Brasil Novo, Infraero, Buritis, Jardins I e II, Pacoval, Congós, São Lazaro e Buritizal .

Além da ausência de coleta regular, a cidade enfrenta a escassez de informações oficiais. Até o momento, a Secretaria Municipal de Zeladoria Urbana (Semzur) não divulgou nota pública explicando o motivo do colapso no serviço.

Problemas recorrentes e impacto na saúde pública

O problema da coleta de lixo em Macapá não é novo. Ao longo dos últimos anos, a cidade tem enfrentado episódios frequentes de deficiência nos serviços. Em novembro de 2024, por exemplo, trabalhadores da limpeza urbana de Macapá, conhecidos como “verdinhos”, protestaram em frente à Semob contra o atraso de mais de três meses no pagamento de seus salários.

Pouco antes, em dezembro de 2023 uma decisão judicial obrigou a PMM a quitar ao menos dois meses de salários atrasados dos trabalhadores, que estavam à época com seis meses de salários atrasados.

Agora, em 2025, o cenário se repete, mas com agravantes: clima quente e úmido favorecendo a decomposição rápida dos resíduos e o surgimento de vetores como baratas, moscas e ratos.

Profissionais da saúde alertam para os riscos sanitários. Se não for contido, pode provocar surtos de doenças como leptospirose, diarreia e infecções respiratórias.

Ministério Público pode intervir ?

Com o agravamento da situação, cresce a pressão para que o Ministério Público Estadual (MPE) tome medidas. Em situações semelhantes registradas em outras cidades, o órgão ingressou com ações civis públicas obrigando a prefeitura a restabelecer a coleta e aplicar multas em caso de descumprimento. Há expectativa de que alguma medida seja adotada diante das denúncias populares e provas compartilhadas por moradores.

Enquanto isso, o lixo se acumula

A falta de um plano emergencial e de diálogo com a população tem deixado a cidade à deriva. Sem previsão de normalização, os cidadãos buscam alternativas improvisadas: queima de lixo, descarte em terrenos baldios e até transporte dos resíduos por conta própria até áreas distantes.

A prefeitura de Macapá, até a publicação desta matéria, não se pronunciou oficialmente sobre a atual situação. A população segue à espera de medidas concretas — e de uma gestão que trate o lixo com a seriedade que o problema exige. Afinal, nas ruas de Macapá, a sujeira deixou de ser apenas um incômodo: virou símbolo de abandono.

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