O prefeito em exercício de Macapá, Pedro DaLua, afirmou nesta semana que a nova gestão encontrou uma situação de “calamidade administrativa em áreas essenciais” da Prefeitura

As declarações foram feitas durante coletiva de imprensa, na qual DaLua informou que a administração municipal iniciou um levantamento detalhado da situação financeira e administrativa do município, incluindo auditorias em contratos e pagamentos realizados nos últimos meses.
Segundo ele, as primeiras análises já indicam irregularidades e movimentações financeiras consideradas suspeitas, especialmente em contratos relacionados à área da saúde.
Tentativa de pagamento de quase R$ 6 milhões
De acordo com o prefeito em exercício, a equipe técnica da prefeitura identificou que um pagamento de quase R$ 6 milhões estava sendo preparado para uma empresa investigada pela Polícia Federal, a Santa Rita Engenharia.
A empresa é citada nas investigações relacionadas às obras do Hospital Geral de Macapá, alvo da Operação Paroxismo, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos.
Segundo DaLua, a autorização para o pagamento teria sido preparada um dia antes da operação da Polícia Federal que resultou no afastamento do então prefeito Antônio Furlan.
A nova gestão informou que o pagamento foi suspenso após a análise preliminar da documentação e que os contratos estão sendo revisados.

Repasse de recursos para agência de publicidade
Outro ponto levantado pelo prefeito em exercício diz respeito a pagamentos feitos a uma agência de publicidade contratada pela prefeitura.
Segundo DaLua, quase R$ 500 mil foram pagos à empresa no mesmo dia da operação da Polícia Federal que levou ao afastamento de Furlan.
De acordo com as informações apresentadas na coletiva, os recursos teriam sido utilizados para repasses a sites, blogs e páginas em redes sociais, que, segundo o prefeito em exercício, seriam utilizados para atacar adversários políticos do então prefeito.
A nova gestão afirmou que também irá auditar os contratos de comunicação institucional da prefeitura, para verificar a regularidade dos pagamentos e a destinação dos recursos públicos.
Auditoria geral na prefeitura
Pedro DaLua afirmou que determinou a realização de auditorias internas em diversas áreas da administração municipal, incluindo:
- contratos da saúde
- despesas com publicidade
- pagamentos realizados nos dias que antecederam a operação da Polícia Federal
- convênios e contratos com empresas investigadas.
Segundo ele, o objetivo é apresentar à população uma radiografia completa da situação da prefeitura após a crise política provocada pelas investigações.
Crise política após operação da PF
A Prefeitura de Macapá vive um período de instabilidade administrativa desde a Operação Paroxismo, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraude em licitações e desvio de recursos públicos relacionados à construção do Hospital Geral de Macapá.
A operação levou ao afastamento do prefeito Antônio Furlan por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Pouco tempo depois, o então prefeito anunciou renúncia ao cargo.
Com a saída de Furlan, o comando do Executivo municipal passou ao presidente da Câmara de Vereadores, Pedro DaLua, que assumiu interinamente a prefeitura.
Promessa de investigação
DaLua também afirmou que eventuais irregularidades identificadas nas auditorias serão encaminhadas aos órgãos de controle e investigação, incluindo o Ministério Público e a Polícia Federal.
Segundo o prefeito em exercício, a população de Macapá tem o direito de saber qual é a real situação administrativa e financeira da prefeitura após a crise política que atingiu o município.








