Decisão do Hospital São Camilo acirra debate político; médicos questionam postura do hospital

“Disputa poltíca entre o governador Clécio Luis e o prefeito de Macapá – médico Antônio Furlan – pode estar influenciando o caso” afirma um profissional médico

A saída da Sociedade Beneficente São Camilo (Hospital São Camilo e São Luís) da mesa de negociação sobre o reconhecimento das dívidas do Estado migrou do campo financeiro para o tabuleiro político do Amapá. Enquanto a direção do hospital optou por interromper as tratativas, parte da classe médica avalia que a medida teria conotação política — em um cenário no qual lideranças do setor se dividem entre a reeleição do governador Clécio Luís e uma eventual candidatura do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB) ao governo em 2026.

Classe médica dividida

Em manifestações públicas e relatos à reportagem, profissionais médicos apontam leituras distintas do impasse. Ao mesmo tempo em que o presidente da Associação Médica do Amapá levou sua posição às redes sociais, outros médicos procuraram a redação para sustentar que a ruptura do diálogo teria motivação política.

Essa dívida do Estado com o São Camilo é antiga, vem de outros governos e nunca suspenderam o atendimento. Tudo indica que a decisão foi política”, afirmou um profissional que pediu para não ser identificado.

Outro médico ouvido lamentou dizendo que “os interesses em jogo são muito grandes” e que o Hospital São Camilo foi colocado nessa disputa.

Dívidas do Estado com o Hospital São Camilo são de 2020, 2021, 2022, 2023 e 2025

Segundo os processos analisados integram o passivo: Contratos nº 06/2020, 45/2021, 03/2022, 17/2022 e (a ser anexado) 29/2023, todos da SESA, relativos a serviços hospitalares de média e alta complexidade.

Em 13/10/2025, a SESA expediu o Ofício nº 3722/2025, propondo quitar 2025 com R$ 14 milhões (início dos pagamentos a partir de 20/10/2025) e parcelar em 15 vezes o remanescente de 2023 e 2024 (e eventual saldo de 2025) via Reconhecimento de Dívida, em consonância com parecer da PGE. O hospital considerou a oferta insuficiente, alegando que não cobre o montante em aberto nem resolve a dívida acumulada.

O que mostram os documentos

Documentos obtidos pelo ConectAmapá indicam que o Governo do Estado e a Sociedade Beneficente São Camilo vinham negociando uma forma de reconhecer a dívida e pagar o débito, mas a administração do hospital decidiu abandonar a mesa.

Um parecer da Procuradoria-Geral do Estado (PGE/AP), emitido em 24/09, admitiu o prosseguimento do pedido de Reconhecimento de Dívida em favor do hospital desde que a Secretaria de Estado da Saúde (SESA) cumpra diligências e saneamentos formais — passo necessário para resguardar a legalidade do ato e viabilizar eventual pagamento.

2026 entra no jogo

A leitura de parte da classe médica é de que o calendário eleitoral influencia a escalada do conflito. Com a possibilidade de Furlan disputar o governo e Clécio Luís buscar a reeleição, discursos e posicionamentos sobre o passivo com o hospital tendem a ganhar relevo político.

O que dizem as partes

Até o fechamento desta matéria, o hospital e o Governo do Estado não haviam encaminhado novas notas oficiais sobre a interrupção das tratativas e o cumprimento das exigências apontadas pela PGE. A reportagem permanece aberta a publicar novos posicionamentos sobre o caso.

Por que importa

  • A rede São Camilo é de grande importância no atendimento hospitalar no estado;
  • Insegurança sobre pagamentos afeta a continuidade de serviços;
  • O impasse contamina o debate público às vésperas de 2026, com reflexos na gestão da saúde e na disputa política.

Assim que houver novas manifestações oficiais — do hospital, do governo, da SESA, da PGE ou de entidades médicas —, atualizaremos esta reportagem.

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