A bancada amapaense deixou de direcionar recursos para ações ligadas ao meio ambiente e ao clima, mesmo diante de crises ambientais recorrentes no estado, como no caso do Bailique

Apesar da gravidade dos problemas ambientais enfrentados pelo estado na região do Balique, nenhum dos oito deputados federais do Amapá destinou emendas parlamentares individuais para ações ligadas ao meio ambiente e ao clima no Projeto de Lei Orçamentária de 2026, aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro. A constatação está em nota técnica do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc)
O estudo analisou 97 ações previstas no Orçamento de 2026 relacionadas à política ambiental e climática, como gestão de riscos e desastres, enfrentamento da emergência climática e iniciativas urbanas de adaptação. Ainda assim, a bancada amapaense deixou de direcionar recursos para qualquer uma dessas frentes, mesmo diante de crises ambientais recorrentes no estado
Uma das situações mais críticas ocorre no arquipélago do Bailique, onde mais de mil famílias já tiveram suas casas destruídas pelo fenômeno das chamadas “terras caídas”. A população também sofre com o assoreamento dos rios e com o avanço das águas do oceano em determinados períodos do ano, o que torna a água imprópria para consumo devido à salinização. Problemas semelhantes são relatados no município de Oiapoque, especialmente por comunidades indígenas, que enfrentam secas prolongadas e escassez de água para consumo humano
Segundo o levantamento, nenhuma dessas pautas ambientais e sociais parece ter sido priorizada pela bancada do estado no Congresso Nacional. As emendas individuais são indicações diretas dos parlamentares e, uma vez aprovadas, o Poder Executivo é obrigado a executar os recursos previstos

Em âmbito nacional, o Inesc aponta que mais de 65% das emendas destinadas a clima e meio ambiente — o equivalente a R$ 101,3 milhões — concentram-se em uma única ação: a “Implementação da agenda nacional de proteção, defesa, bem-estar e direitos animais”, sob responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Deputados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná lideram os repasses, concentrando cerca de 66% da verba individual destinada à área ambiental
O relatório também revela que parlamentares de oito unidades da federação não indicaram qualquer recurso para a agenda ambiental em 2026. Além do Amapá, estão nessa lista Acre, Alagoas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e o Pará — este último, inclusive, sede da Conferência do Clima da ONU realizada em 2025. A ausência de investimentos, segundo o Inesc, evidencia desigualdades regionais e levanta questionamentos sobre as prioridades políticas diante do avanço da crise climática no país








