A história política recente de Macapá revela um dado que chama atenção: dos últimos cinco prefeitos eleitos da capital amapaense, apenas dois conseguiram concluir seus mandatos sem serem presos ou afastados pela Justiça

No período que compreende as últimas duas décadas, somente Aníbal Barcellos e Clécio Luís conseguiram governar a capital até o final de seus respectivos mandatos sem interrupções judiciais.
Os demais prefeitos enfrentaram investigações, prisões ou afastamentos decorrentes de operações policiais e decisões judiciais, refletindo um cenário de instabilidade administrativa e judicial na gestão municipal.
Aníbal Barcellos concluiu mandato no início dos anos 2000
Eleito prefeito de Macapá nas eleições de 1996, Aníbal Barcellos governou a capital até 2000, encerrando o mandato sem registros de afastamentos judiciais.
Sua gestão marca o início do recorte histórico que evidencia o contraste com administrações posteriores, marcadas por crises políticas e investigações.
João Henrique Pimentel foi preso durante o mandato

Nas eleições municipais de 2000, João Henrique Pimentel foi eleito prefeito com 42.681 votos, o equivalente a 36% dos votos válidos, derrotando adversários como Papaléo Paes e o próprio Aníbal Barcellos.
Em 2004, concorreu à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e foi reconduzido ao cargo com 65.425 votos (41,4% dos votos válidos), vencendo ainda no primeiro turno com apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No entanto, poucas semanas após a vitória eleitoral, Pimentel foi preso pela Polícia Federal durante a Operação Pororoca.
A operação investigava fraudes em licitações de 17 obras públicas nos municípios de Macapá, Santana e Oiapoque. Segundo a Polícia Federal, o esquema poderia ter provocado desvio de aproximadamente R$ 103 milhões dos cofres públicos.
A prisão foi decretada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, com base em acusações de irregularidades em contratos e processos licitatórios.
Roberto Góes foi preso na Operação Mãos Limpas

Outro episódio marcante ocorreu durante a gestão do prefeito Roberto Góes, eleito em 2008.
Em dezembro de 2010, ele foi preso preventivamente por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no âmbito da Operação Mãos Limpas, uma das maiores investigações de corrupção já realizadas no Amapá.
A operação, conduzida pela Polícia Federal, investigava um amplo esquema de desvio de verbas públicas federais envolvendo autoridades do estado e do município.
O ministro João Otávio de Noronha, relator do inquérito no STJ, determinou a prisão preventiva do prefeito por suspeita de fraudes em licitações e tentativa de ocultação e adulteração de provas.
Roberto Góes permaneceu preso por cerca de dois meses, entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011.
Posteriormente, em 2016, foi condenado na Ação Penal 916 pelos crimes de peculato e assunção de obrigação no último ano de mandato, em processo relacionado ao desvio de R$ 8.385.486,73 referentes a valores descontados de empréstimos consignados de servidores municipais que deveriam ter sido repassados ao Banco Itaú Unibanco.
Mesmo após os episódios judiciais, Góes retornou à vida política e chegou a ser eleito deputado federal em 2014, sendo o mais votado do estado, e atualmente exerce mandato como deputado estadual.
Clécio Luís foi reeleito e concluiu os dois mandatos
Uma exceção nesse período foi Clécio Luís, eleito prefeito de Macapá em 2012.
Quatro anos depois, em 2016, foi reeleito, tornando-se um dos poucos gestores recentes da capital a concluir integralmente dois mandatos consecutivos sem afastamento judicial ou prisão.
Após deixar a prefeitura, Clécio seguiu carreira política e atualmente ocupa o cargo de governador do Amapá.
Antônio Furlan foi afastado pelo STF

O cenário voltou a se repetir recentemente com o prefeito Antônio Furlan, eleito em 2020 e reeleito em 2024.
Ele foi afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito das investigações relacionadas à Operação Paroxismo, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos públicos da Prefeitura de Macapá.
Após o afastamento determinado pela Justiça, Furlan anunciou a renúncia ao cargo, em meio ao avanço das investigações e ao desgaste político provocado pelo caso.
Segundo aliados, a decisão teria sido tomada também para evitar maior desgaste político e manter o projeto de disputar o governo do Amapá nas próximas eleições.
Instabilidade administrativa marca história recente da capital
O histórico recente evidencia que a Prefeitura de Macapá tem sido frequentemente alvo de operações policiais e investigações envolvendo suspeitas de corrupção e irregularidades administrativas.
Entre os últimos cinco prefeitos eleitos da capital:
- Aníbal Barcellos – concluiu o mandato (1997–2000)
- João Henrique Pimentel – preso durante o mandato
- Roberto Góes – preso na Operação Mãos Limpas
- Clécio Luís – concluiu dois mandatos (2013–2020)
- Antônio Furlan – afastado pelo STF e renunciou
O cenário reforça um histórico de crises políticas e judiciais na administração da capital amapaense, que frequentemente repercutem tanto no debate público quanto na estabilidade institucional do município.








