O movimento evidencia uma nova fase da bioeconomia amazônica

O Amapá começa a ganhar destaque nacional como um novo polo de inovação na bioeconomia amazônica, impulsionado por iniciativas lideradas por mulheres que transformam biodiversidade, conhecimento tradicional e pesquisa científica em soluções tecnológicas voltadas para saúde, nutrição e bem-estar.
Reportagem publicada pelo portal O Povo destaca que empreendedoras amapaenses vêm estruturando negócios com potencial de crescimento nacional e internacional, conectando ciência aplicada, empreendedorismo e recursos naturais da floresta amazônica.
Ozônio Verde
Entre os exemplos citados está a startup Ozônio Verde, criada por Marineide Silva e Oneide Pinheiro. A empresa desenvolveu um creme de massagem ozonizado que combina óleos de plantas amazônicas com aplicação de ozônio, voltado para o alívio de dores crônicas, relaxamento muscular e melhora da circulação sanguínea. O produto é vegano e busca unir biodiversidade e evidência técnica em sua formulação.
O produto é vegano, não utiliza aditivos químicos e se diferencia por articular sustentabilidade, formulação aplicada e compromisso com validação. Para Oneide Pinheiro, o centro do negócio não está na venda de um cosmético, mas na entrega de qualidade de vida, respaldada por testes com voluntários e por parcerias com a Associação de Fibromialgia.
O negócio nasceu a partir da tentativa de aliviar crises de fibromialgia de uma amiga das fundadoras. O que começou como uma experiência artesanal evoluiu para uma startup formalizada em 2024 e que já participou de diversos programas de aceleração e capacitação voltados a novos negócios.
Amazon Bio
Outro caso de destaque é o da Amazon Bioprotein, criada pela empreendedora Antônia Maria Bezerra, de 76 anos. A empresa desenvolveu um suplemento proteico produzido a partir do cariru, planta típica da região amazônica. O produto resulta da combinação entre conhecimento tradicional, ciência dos alimentos e estratégia de mercado.
A startup ganhou projeção após participar de programas de inovação como Startup On Macapá, Inova Amazônia e InovAtiva de Impacto, além de apresentar sua proposta no Web Summit, em Lisboa. Em 2024, a empresa também entrou para a lista internacional das 100 Startups to Watch.

O cariru utilizado na produção é cultivado no Quilombo do Ambé, o que fortalece a conexão entre inovação tecnológica, geração de renda local e preservação ambiental. Atualmente, a empresa atua como startup incubada no SENAI e mantém parcerias com instituições de inovação e pesquisa.
A reportagem também destaca o papel da Casa Azul Ventures, organização que atua na aceleração de startups da região. Por meio do programa Ignição de Negócios, realizado no Hub Amazoom, empreendedores recebem apoio para estruturar modelos de negócios, desenvolver produtos mínimos viáveis (MVPs) e construir estratégias de crescimento sustentável.
O movimento evidencia uma nova fase da bioeconomia amazônica, em que a biodiversidade deixa de ser apenas potencial natural e passa a integrar cadeias produtivas estruturadas, capazes de gerar inovação, renda e competitividade internacional.
Nesse cenário, mulheres empreendedoras do Amapá aparecem como protagonistas de uma transformação que conecta ciência, floresta e mercado global, apontando para a consolidação de um novo ecossistema de inovação na região amazônica.








