Empresário apontado como líder de suposto cartel nacional é investigado pela PF no Amapá por obras do Dnit

Operação no estado apreendeu carros de luxo, joias e obras de arte ligadas ao dono de empreiteira alvo de investigação do Cade

Luiz Otávio Fontes Junqueira, apontado pelo Cade como figura central de um suposto cartel bilionário de empreiteiras

O empresário Luiz Otávio Fontes Junqueira, apontado por investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) como figura central de um suposto cartel bilionário de empreiteiras que atua em contratos do governo federal, é também alvo de investigação da Polícia Federal no Amapá por suspeitas de irregularidades em obras do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

A apuração no estado integra a Operação Route 156, que investiga fraude em licitações e corrupção envolvendo contratos do Dnit no Amapá. Durante a ação, a PF apreendeu bens de luxo ligados ao empresário, incluindo carros da marca Porsche, joias e obras de arte, em um endereço em Nova Lima (MG).

Cartel do asfalto movimenta R$ 24 bilhões

Levantamento nacional sobre contratos de pavimentação mostra que um grupo de empresas suspeito de atuar de forma coordenada assinou 596 contratos de engenharia com o governo federal desde 2015, somando R$ 24,34 bilhões.

Segundo a análise, as empresas investigadas atuaram em um terço das licitações do Dnit no período. Do total contratado, R$ 18,6 bilhões já foram pagos, sendo R$ 755 milhões provenientes de emendas parlamentares.

Os contratos cresceram de forma acelerada após a Lava Jato, quando grandes empreiteiras perderam espaço. O novo foco do setor passou a ser a pavimentação rodoviária, hoje considerada o principal filão de obras públicas.

LCM Construções no centro das investigações

A empreiteira LCM Construções, sediada em Belo Horizonte e pertencente a Junqueira, é apontada pelo Cade como líder do suposto cartel. A empresa possui contratos em superintendências do Dnit em todo o país e acumula cerca de R$ 17 bilhões em contratos, dos quais R$ 12,3 bilhões já foram pagos.

Desde 2023, empresas investigadas pelo Cade teriam fechado ao menos 171 contratos, totalizando R$ 9,4 bilhões.

O crescimento da LCM começou em 2015, período que coincide com o enfraquecimento de grandes construtoras atingidas pela Lava Jato.

Amapá entra no mapa das investigações

A Operação Route 156 marcou a primeira vez que Luiz Otávio Junqueira foi alvo direto da Polícia Federal. A investigação no Amapá apura supostas fraudes em licitações e corrupção em contratos do Dnit no estado.

Durante a operação Rout 156, a PF apreendeu bens de luxo ligados ao empresário, incluindo carros da marca Porsche

A PF suspeita que contratos de infraestrutura rodoviária no Amapá tenham sido direcionados de forma irregular, dentro de um esquema que pode ter ramificações nacionais.

Cartel sob investigação nacional

Além do Dnit, o Cade aponta indícios de atuação coordenada das empresas investigadas também em contratos da Codevasf e de outros órgãos federais e estaduais.

O processo administrativo no Cade ainda está em andamento e pode resultar em multas bilionárias e restrições de contratação com o poder público.

Enquanto isso, a frente criminal avança com investigações da Polícia Federal, incluindo o braço aberto no Amapá.

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