Empresário investigado por contrabando de minério é denunciado por tentativa de homicídio e porte ilegal de arma

Pulgatti teria efetuado disparos contra o vigilante Sandoval Ferreira Gomes Júnior e contra uma viatura da Polícia Civil. Em 2006, reportagem da Isto É, associou o empresário ao contrabando de urânio

O empresário João Luís Pulgatti, conhecido por atuar no setor de mineração e energia, enfrenta acusações graves no Amapá. Ele foi denunciado pelo Ministério Público por tentativa de homicídio, porte ilegal de arma de uso restrito, ameaça a autoridade policial e disparos contra patrimônio público, após episódio ocorrido em julho de 2025, em Macapá

Segundo a denúncia já recebida pela justiça, Pulgatti teria efetuado disparos contra o vigilante Sandoval Ferreira Gomes Júnior e contra uma viatura da Polícia Civil estacionada em frente à casa do delegado Mauro Ramos de Moraes, a quem também teria ameaçado verbalmente. Preso em flagrante, o empresário teve apreendidos uma pistola 9mm, munições, celulares, passaportes e vultosas quantias em moedas nacional e estrangeira.

O Ministério Público do Amapá sustenta que o empresário agiu com plena consciência da ilicitude de seus atos, rejeitando a alegação de que estaria sob efeito de álcool ou medicamentos.

O processo contra João Luís Pulgatti tramita na Vara do Tribunal do Júri de Macapá e poderá levá-lo a julgamento popular pelas acusações criminais

Conexão com extração ilegal de minério

O nome de João Luís Pulgatti também é conhecido por suposto envolvimento com  contrabando e exploração clandestina de minérios estratégicos no Brasil, especialmente urânio.

De acordo com reportagem publicada em 2006 pela revista Isto É, em julho de 2004, a Polícia Federal apreendeu no interior do Amapá, na caçamba de uma caminhonete, 18 sacas de um mineral granulado escuro muito mais pesado do que aparentava ser. O material, examinado depois nos laboratórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), era um composto de urânio e tório, minérios altamente radioativos que abundam em jazidas encravadas no extremo Norte brasileiro.

Estava ali o fio da meada para a descoberta de uma das mais obscuras máfias em atuação no País, com braços internacionais e especializada na extração clandestina e na comercialização ilegal de urânio.

No rastreamento da teia de relações mantidas pelos traficantes, a polícia chegou ao nome de Haytham Abdul Rahman Khalaf, libanês apontado como o elo com o grupo extremista islâmico Hamas. Na ponta brasileira da trama, até agora a Polícia Federal já identificou três grupos especializados no tráfico de urânio. Todos com base em Macapá.

 O principal deles tem como testa-de-ferro o empresário João Luís Pulgatti, dono de um pool de empresas de mineração que consegue autorização oficial para pesquisar jazidas de ouro, mas que, na prática, explora e negocia minério radioativo. Por trás de Pulgatti está John Young, 58 anos, irlandês naturalizado canadense que diz representar no Brasil os interesses de uma companhia internacional de mineração.

Segundo a polícia, outro grupo especializado na aquisição de urânio é encabeçado por Robson André de Abreu, dono de madeireiras, de uma mineradora e de um conhecido restaurante de Macapá. A exemplo de Pulgatti, ele possui uma rede de fornecedores de urânio.

 O terceiro “grupo criminoso”, como escrevem os agentes nos relatórios secretos obtidos por ISTOÉ, é chefiado por um homem até agora identificado apenas como Nogueira.

Ao longo da investigação, os policiais descobriram que o negócio é infinitamente maior que aqueles 600 quilos apreendidos há quase dois anos. Nas escutas, surgem negociações de até dez toneladas. Leia a matéria completa Aqui .

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