Ex-diretor da Petrobras diz que Brasil precisa acelerar exploração na Margem Equatorial

“O Brasil precisa ter pressa, porque o cenário global tende a se tornar cada vez mais competitivo”, diz especialista

Margem Equatorial brasileira tem potencial estimado em 30 bilhões de barris
Margem Equatorial brasileira tem potencial estimado em 30 bilhões de barris

A sinalização de que os Estados Unidos pretendem impulsionar a produção de petróleo na Venezuela, caso se confirmem os planos anunciados pelo presidente Donald Trump, tende a redesenhar o cenário energético regional e trazer impactos relevantes para o Brasil e para a Petrobras. O país vizinho concentra as maiores reservas de petróleo do mundo, mas enfrenta há décadas uma forte retração produtiva, o que agora pode começar a ser revertido, informa o jornal O Globo.

Especialistas avaliam que esse cenário pressiona a Petrobras a acelerar decisões estratégicas, especialmente relacionadas à Margem Equatorial. Além da Venezuela, Guiana e Suriname já avançam em projetos relevantes, ampliando a oferta regional de petróleo. Esse movimento ocorre em um contexto de forte volatilidade no mercado, intensificada pelas tensões geopolíticas recentes.

Rafael Chaves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e ex-diretor da Petrobras, ressalta que os reservatórios venezuelanos já são amplamente conhecidos, o que reduz riscos e acelera investimentos. Para ele, isso reforça a necessidade de o Brasil ganhar velocidade na exploração da Margem Equatorial. “O Brasil precisa ter pressa, porque o cenário global tende a se tornar cada vez mais competitivo. Se antes já era necessária mais velocidade, agora essa urgência é ainda maior”, afirmou, defendendo maior coordenação entre o Ministério do Meio Ambiente e o setor energético.

Na mesma linha, Marcus D’Elia, sócio-diretor da Leggio Consultoria, vê na conjuntura um incentivo adicional à exploração da Margem Equatorial, tanto para compensar a queda da produção nacional a partir de 2033 e 2034 quanto para oferecer ao mercado internacional um petróleo de melhor qualidade em relação ao venezuelano.

Enquanto a Venezuela possui cerca de 303 bilhões de barris em reservas comprovadas, a Margem Equatorial brasileira tem potencial estimado em 30 bilhões de barris, segundo estudo do CBIE. O geólogo Pedro Zalan observa que há também diferenças relevantes nos custos de produção: as reservas venezuelanas estão majoritariamente em terra e em águas rasas, ao contrário das jazidas da Margem Equatorial, da Guiana e do Suriname, localizadas em águas profundas e ultraprofundas, o que torna a extração na Venezuela mais barata e competitiva.

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