Furlan adota discurso de “vitimismo”, o mesmo de outros prefeitos envolvidos em casos de corrupção, diz Metrópoles  

A postura foi destacada em reportagem do portal Metrópoles, que aponta prefeitos investigados em diferentes estados

Segundo a reportagem, ao menos três prefeitos adotaram estratégia semelhante após se tornarem alvos de investigações

Mais de dez dias após a deflagração da Operação Paroxismo, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de fraude em licitação e desvio de recursos públicos nas obras do Hospital Geral de Macapá, o então prefeito Antônio Furlan evitou comentar diretamente as provas apresentadas no inquérito e adotou um discurso semelhante ao de outros prefeitos investigados no país: o de vitimismo e perseguição política.

A postura foi destacada em reportagem do portal Metrópoles, que aponta que prefeitos investigados em diferentes estados têm recorrido à narrativa de vitimização às vésperas das eleições de 2026, buscando transformar investigações judiciais em capital político para suas pré-campanhas.

Segundo a reportagem, ao menos três prefeitos adotaram estratégia semelhante após se tornarem alvos de investigações: os gestores de Mossoró (RN), Manaus (AM) e Macapá (AP).

Silêncio sobre as provas da investigação

A investigação da Polícia Federal aponta indícios de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro

No caso de Macapá, a Operação Paroxismo levou ao afastamento do prefeito Antônio Furlan e do vice-prefeito Mário Neto por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação da Polícia Federal aponta indícios de fraude em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro envolvendo a construção do hospital municipal da capital amapaense.

Apesar da gravidade das acusações e da existência de documentos e relatórios técnicos que sustentaram a decisão judicial, Furlan não apresentou explicações detalhadas sobre as provas apontadas no processo, preferindo direcionar sua manifestação para o campo político.

Discurso de vitimização

Em publicação nas redes sociais após a operação, o então prefeito afirmou que a decisão judicial não seria contra ele, mas contra “a vontade do povo de Macapá”, sugerindo que estaria sendo alvo de perseguição política.

No mesmo pronunciamento, Furlan reafirmou a intenção de disputar o governo do Amapá nas eleições de 2026, mesmo após ter sido afastado do cargo por determinação do STF.

No dia seguinte à manifestação pública, o prefeito afastado renunciou ao cargo, antecipando o processo de desincompatibilização para disputar o governo estadual.

Estratégia repetida em outras cidades

A reportagem do Metrópoles aponta que a reação de Furlan segue um padrão observado em outras cidades.

Prefeitos que se tornaram alvo de operações policiais passaram a utilizar o argumento de perseguição política, especialmente quando ocupam posições de destaque em pesquisas eleitorais ou pretendem disputar cargos mais altos.

No caso de Mossoró (RN), por exemplo, o prefeito Allyson Bezerra afirmou nas redes sociais que estaria sendo investigado justamente em um momento em que seu nome aparece bem posicionado nas pesquisas para o governo do estado.

Em Manaus (AM), o prefeito David Almeida também adotou narrativa semelhante após investigações envolvendo pessoas próximas à sua gestão.

Crise política em Macapá

No Amapá, a operação da Polícia Federal desencadeou uma crise política na Prefeitura de Macapá, culminando com o afastamento de autoridades municipais e a renúncia do prefeito.

A investigação segue em andamento e apura a existência de um suposto esquema de corrupção envolvendo contratos da área da saúde e a construção do hospital geral da capital, obra considerada estratégica para ampliar a rede pública de atendimento médico da cidade.

Enquanto as investigações avançam no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal, permanece a expectativa da população por explicações concretas sobre os indícios de desvio de recursos públicos apontados no processo, tema que até agora não foi enfrentado diretamente pelo ex-prefeito.

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