Irmão do conselheiro do TCE/AP foi sócio da rede de motéis apontada em esquema de lavagem de dinheiro

Investigação revela vínculos diretos entre familiares de Michel Houat Harb e empresas utilizadas na suposta lavagem de dinheiro

Irmão do conselheiro Michel Harb, Marcell Houat Harb, figurava até 22018, como sócio da empresa responsável pela administração do motel A2 Pousada III
Irmão do conselheiro Michel Harb, Marcell Houat Harb, figurava até 2018, como sócio da empresa CORREA & HOUAT LTDA, responsável pela administração do motel A2 Pousada III

Documentos do Ministério Público do Amapá (MP/AP) obtido com exclusividade pelo ConectAmapá detalham as conexões empresariais entre familiares do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AP), Michel Houat Harb, e uma rede de motéis em Macapá que teria sido utilizada para lavagem de dinheiro proveniente de atividades ilícitas dentro do órgão de controle

A apuração é parte do Inquérito Policial nº 6018350-96.2025.8.03.0001, que tramita na 2ª Vara de Garantias de Macapá, sob segredo de justiça, e investiga possíveis crimes de organização criminosa, corrupção passiva e ativa e lavagem de capitais.

O elo empresarial entre a família Harb e os motéis A2

Segundo a documentação da Junta Comercial do Estado do Amapá (JUCAP) e informações colhidas pelo Ministério Público, a rede de motéis A2 — composta pelas empresas A2 Pousada I, II, III e IV — foi utilizada pelo assessor Ricardo de Almeida Barbosa, servidor do TCE/AP, para ocultar recursos de origem ilícita.

Os investigadores descobriram que, até 2018, o irmão do conselheiro Michel Harb, Marcell Houat Harb, figurava como sócio da empresa CORREA & HOUAT LTDA, responsável pela administração do motel A2 Pousada III. Essa empresa teria servido como instrumento para movimentações financeiras suspeitas, conforme apontam os relatórios preliminares do MP

Após 2018, Marcell Harb retirou-se formalmente da sociedade, mas as ligações entre as famílias Harb e Ferreira/Souza — donos da rede de motéis — permaneceram ativas em outros negócios.

Mãe e tio do conselheiro seguem como sócios em empresa com o filho dos empresários do motel

Michel Houat Harb, conselheiro do TCE/AP — apontado como possível beneficiário e articulador político do grupo

O MP identificou que a empresa K.A.E. Incorporadora Ltda, registrada também na JUCAP, tem como sócios Arthur Ferreira de Souza — filho do casal de empresários Sílvio Vitória de Souza e Waldileia Corrêa Ferreira, donos da rede de motéis — e Katia Mara Houat Harb e José Emílio Houat, respectivamente mãe e tio do conselheiro Michel Harb

Esse vínculo societário, segundo o Ministério Público, reforça a hipótese de uma estrutura familiar e empresarial interligada, utilizada para dar aparência lícita à movimentação de recursos suspeitos.

“Há indícios de que familiares do conselheiro Michel Houat Harb mantêm, até hoje, participação em empresas ligadas a pessoas e negócios sob investigação por lavagem de dinheiro”, diz trecho do documento analisado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público

Esquema envolveria assessor direto e empresas de fachada

As investigações também apontam que Ricardo de Almeida Barbosa, assessor direto de Michel Harb no TCE/AP, teria procurado a cooperativa SANTCOOP, administrada por Waldileia Corrêa Ferreira, para emitir notas fiscais falsas e simular serviços inexistentes.

A SANTCOOP e a empresa S.V. de Souza-ME, ambas vinculadas aos mesmos sócios, compartilham o mesmo endereço em Santana (AP), o que, segundo o MP, indica o uso de estruturas empresariais sobrepostas para justificar transações financeiras irregulares.

Os investigadores afirmam que Ricardo Barbosa foi visto “saindo com mochilas de dinheiro das dependências do TCE/AP”, segundo depoimentos colhidos durante o Procedimento Investigatório Criminal, e que parte desses valores teria sido lavada através dos motéis A2

Indícios de organização criminosa e envolvimento de servidores e empresários

Documentos do Ministério Público do Amapá (MP/AP) obtido com exclusividade pelo ConectAmapá detalham as conexões empresariais entre familiares do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE/AP), Michel Houat Harb

O Ministério Público relaciona pelo menos dez pessoas ao suposto esquema, incluindo servidores públicos, empresários e parentes do conselheiro Michel Harb. O grupo é investigado por atuar de forma organizada para desviar recursos, simular transações e lavar valores por meio de empresas de fachada e empreendimentos comerciais.

Entre os principais investigados estão:

  • Michel Houat Harb, conselheiro do TCE/AP — apontado como possível beneficiário e articulador político do grupo;
  • Ricardo de Almeida Barbosa, assessor direto — suposto operador financeiro;
  • Sílvio Vitória de Souza e Waldileia Corrêa Ferreira, empresários — donos dos motéis A2 e da SANTCOOP;
  • Arthur Ferreira de Souza, Katia Mara Houat Harb e José Emílio Houatsócios da K.A.E. Incorporadora;
  • Marcell Houat Harb, irmão do conselheiro — ex-sócio da rede de motéis

Contexto e próximos passos

O caso, que também foi levado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido ao foro privilegiado do conselheiro Michel Harb, é acompanhado pela Subprocuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
O processo segue em fase de análise documental e perícia contábil, com possibilidade de oferecimento de denúncia ou pedido de arquivamento até o fim do ano.

As investigações indicam que a família do conselheiro Michel Houat Harb manteve e mantém relações societárias diretas com empresários ligados à rede de motéis A2, apontada como meio para lavagem de dinheiro. O irmão do conselheiro, Marcell Harb, já foi sócio de um dos motéis utilizados no suposto esquema, enquanto a mãe e o tio do conselheiro permanecem sócios do filho dos empresários em outra empresa ativa. O Ministério Público considera esses vínculos evidências de um arranjo empresarial destinado à ocultação patrimonial e movimentação ilícita de valores públicos.

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