Segundo o jornal as três mulheres se inspiraram na própria convivência com o líder popular, que será enredo da agremiação

A participação de três mulheres do Amapá – Verônica dos Tambores, Piedade Videira e Laura do Marabaixo – na semifinall do da disputa de samba-enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, que acontecerá no próximo dia 20, ganhou destaque no jornal O Globo.
A Estação Primeira de Mangueira selecionou dois sambas compostos por artistas amapaenses para a semifinal da disputa de samba-enredo da escola, que acontecerá no próximo dia 20. Entre eles, está a composição “Sacaca, eu escutei uma voz”, feita pelas professoras Verônica dos Tambores, Piedade Videira e Laura do Marabaixo, diz a publicação.
Ainda segundo o jornal as três mulheres se inspiraram na própria convivência com o líder popular, que será enredo da agremiação no carnaval 2026, para compor a canção. Mestre Sacaca, também conhecido como “doutor da floresta”, usava os conhecimentos adquiridos com comunidades indígenas para o tratamento de doenças, com garrafadas, chás, unguentos e simpatias.
— A inspiração para fazer o samba surgiu no meio do enterro do Sacaca. Nós éramos muito próximos, eu passava dias em sua casa, era como se ele fosse meu padrinho — conta Verônica dos Tambores, que é poetisa e musicista.
— Trabalhamos com muito cuidado em cada verso, cada palavra e linha escrita. Tudo foi feito com muito cuidado, com muito amor, porque ele tratava as pessoas com imenso carinho. Eu tenho certeza que as pessoas irão gostar e que este belo samba ainda será aplaudido por muito tempo — disse a artista, emocionada.

Nascido em 1926, Sacaca morreu em 1999, aos 73 anos. O xamã da floresta também foi marabaixeiro, ou seja, alguém que pratica ou participa do marabaixo, uma manifestação cultural afro-amapaense que combina música, dança e ritual.
— Estamos falando de algo inédito na historiografia da Mangueira: tratar de costumes afro-indígenas. Mesmo no Brasil, muitas vezes ainda predomina uma visão monolítica sobre a Amazônia, com muitas narrativas e personagens ainda inexplorados ou sem ter a devida atenção — diz Sidnei França, carnavalesco da Mangueira. — Com sua vocação de contar “outras histórias”, a Mangueira vai apresentar Mestre Sacaca, um legítimo representante dessa floresta afro-indígena.








