Os números expõem uma oportunidade de política pública: ampliar e integrar a malha cicloviária de Macapá

Dados do Censo 2022 do IBGE mostram que 15,2% dos macapaenses utilizam a bicicleta para ir ao trabalho — a maior proporção entre as capitais da Região Norte. Apesar do alto índice de uso, a cidade dispõe de apenas 18 km de infraestrutura cicloviária, a menor malha entre as 27 capitais, segundo levantamento de 2023 da Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).
O retrato regional
- Macapá: 15,2% usam bicicleta; 18 km de ciclovias/ ciclofaixas.
- Belém (PA): 11,8% usam bicicleta; 116,5 km de malha.
- Palmas (TO): 4,1%; 68,5 km.
- Boa Vista (RR): 11,95%; 43,1 km.
- Manaus (AM): 0,6%; 26,2 km.
- Porto Velho (RO): 11,5%; 23,5 km.
Na comparação com as demais capitais do Norte, Macapá combina o maior uso da bike com a menor oferta de vias cicláveis, evidenciando um descompasso entre a demanda da população e o investimento em infraestrutura.

Ciclista
O autônomo Márcio Soares conta que precisa se deslocar todos os dias da zona norte de Macapá para o centro da cisdade e a viagem e sempre um risco.
“Motorista de carro e de moto não respeitam a gente. Temos que andar nas calçadas e sair procurando onde o perigo é menor. Creio que se tivesse um espaço para as bicicletas seria bem mais seguro”, diz Márcio.
Sebastião Ferreira conta que ainda ainda de bicicleta em razão do custo da passagem de ônibus no orçamento da família.
“Já fui atropleado e hoje ainda ando de bicicleta em Macapá em razão do preço da passagem de ônibus. Se gasto no ônibus vai faltar em casa”, desabafa Ferreira.
Brasil: volume e proporção
O estudo da Aliança Bike aponta São Paulo como a capital com mais quilômetros reservados a ciclistas (689,1 km). Mas, quando a análise considera a malha por população, Florianópolis lidera, com 22,9 km para cada 100 mil habitantes — sinal de que não basta expandir a rede; é preciso distribuir e dimensionar de forma proporcional.
Por que importa

Especialistas em mobilidade defendem que infraestrutura adequada salva vidas, reduz poluição e descongestiona o trânsito. Para Murilo Casagrande, diretor de Desenvolvimento Institucional do Aromeiazero, “ciclovias salvam vidas e geram um trânsito mais seguro, uma cidade menos poluída. É muito necessário que essas estruturas cheguem nas periferias, que sejam mais acessíveis e ajudem na construção de uma economia verde que pode gerar um impacto muito positivo”.
Próximos passos
Os números expõem uma oportunidade de política pública: ampliar e integrar a malha cicloviária de Macapá — especialmente em corredores de deslocamento diário e bairros periféricos —, com segurança viária, sinalização e conexão a terminais de ônibus e equipamentos públicos (escolas, UBSs, repartições).
Com 15,2% da população já pedalando para o trabalho, investir em infraestrutura cicloviária tende a qualificar uma prática consolidada, com ganhos diretos para saúde, meio ambiente e mobilidade urbana.








