Macapá Verão 2025: Prefeitura banca shows nacionais e diminui participação de artistas do estado

Segundo informações da classe artística houve redução nas contratações locais

Com o tema “Viva o Meio do Mundo!”, o festival Macapá Verão 2024 começa no próximo dia 4 de julho e promete movimentar a cidade com grandes atrações da música nacional até o dia 26. No entanto, o evento promovido pela Prefeitura de Macapá, sob a gestão do prefeito Antônio Furlan (MDB), tem gerado polêmica: em vez de priorizar talentos locais, como tradicionalmente ocorria, a nova edição do evento investirá milhões de reais de recursos públicos em cachês de artistas de renome nacional.

Estão confirmadas 11 atrações nacionais, entre elas Raça Negra, Pedro Sampaio, Wesley Safadão, Durval Lelys, Sepultura, Ira, Isadora Pompeu, Banda AR-15, Marcynho Sensação, Café com Deus Pai e até a Galinha Pintadinha. A contratação dessas atrações está sendo integralmente custeada com verba pública, segundo informações da própria prefeitura.

Para artistas locais, que durante anos tiveram no evento uma vitrine e uma fonte importante de renda, o sentimento é de frustração e abandono. Segundo informações da classe artística, enquanto as contratações nacionais aumentaram, ouve redução nas contratações locais.

Era o nosso décimo terceiro. O município contratava para shows todo final de semana. Os shows iam da Fazendinha – passando pelo Araxá e Curiaú – até São Joaquim do Pacuí”, relembra um artista amapaense, que preferiu não se identificar. “Hoje o dinheiro que circulava aqui, entre músicos, técnicos e produtores locais, vai tudo embora com artistas de fora.”

Virada de política cultural

Criado como um espaço para valorização da cultura regional, o Macapá Verão era conhecido por fomentar a economia criativa local, promover a diversidade artística do Amapá e impulsionar talentos regionais. Com a atual política da gestão Furlan, esse objetivo parece ter sido substituído por uma aposta no espetáculo de grandes nomes nacionais, o que, para muitos críticos, desnatura o propósito original do evento.

Não se trata de ser contra artistas nacionais. O problema é a inversão de prioridades e a redução na participação dos artistas locais de um evento que sempre foi deles”, pontua um produtor cultural da capital.

Até o momento, a Prefeitura de Macapá não divulgou oficialmente os valores individuais dos contratos com os artistas. Estima-se, contudo, que os cachês girem entre R$ 250 mil e R$ 700 mil por apresentação, com valores que podem ultrapassar os R$ 5 milhões ao todo — o que corresponde a uma fatia expressiva do orçamento cultural do município.

COMPARTILHE!

Comentários:

Notícias Relacionadas

error: Conteúdo protegido!!