Prática criada por técnico da ATeG reduziu perdas e ganhou destaque internacional

Um manejo simples e sem custo, desenvolvido por um técnico de campo do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) no Amapá, tem ajudado produtores a reduzir perdas e aumentar a produtividade na apicultura e na meliponicultura.
A solução surgiu a partir da observação de quem acompanha, de perto, os desafios do campo e ouviu relatos preocupantes sobre um dos principais problemas da atividade: as perdas causadas pelo parasitóide Plega hagenella, que ataca abelhas sem ferrão e pode comprometer enxames inteiros.
Foi nesse contexto que Gilberto Barbosa, tecnólogo em apicultura e meliponicultura e técnico de campo da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) nas regiões de Macapá, Santana, Porto Grande e Ferreira Gomes, criou uma alternativa eficiente e basicamente sem custos.
“A perda constante de colônias desanimou os produtores e alguns já cogitaram abandonar a atividade”, disse.
Gilberto e sua equipe passaram a adotar uma série de protocolos simultâneos, como coleta manual de insetos adultos, limpeza frequente das caixas e dos suportes com pincéis e vassouras, poda das árvores para equilibrar luz e sombra ao longo do dia e retirada de matéria orgânica em decomposição ao redor dos meliponários.
“Ainda não tinha entendido totalmente os mecanismos de infestação, então começamos com medidas diretas e consistentes de manejo”, explicou.
A disseminação do método aconteceu de forma orgânica e colaborativa. Durante visitas técnicas, produtores de áreas próximas eram reunidos para executar as ações em conjunto, com trocas de experiências e aprendizados na prática.
“Com o tempo, eles mesmos passaram a replicar e compartilhar as técnicas”, conta o técnico da ATeG.
Os impactos foram consistentes e depois de aproximadamente 90 dias do início do controle, foi possível notar um aumento no número de operárias por colmeia e, principalmente, a interrupção total das perdas por extinção.
“A infestação não foi erradicada, mas passou a ocorrer de forma esporádica, controlável, dependendo do manejo adotado”, pontua.
Reconhecimento
A prática reduz a presença do parasitóide, protege os enxames e melhora a produtividade, sendo acessível a qualquer produtor. Assim, o que começou como uma solução prática para um problema recorrente e local foi validado em pesquisa e apresentado no Congresso Apimondia, um dos principais eventos de apicultura do mundo, realizado na Dinamarca em setembro de 2025.
“Foi muito gratificante. Ver um trabalho feito no Amapá ganhar esse alcance já seria importante, mas contar com a orientação de pesquisadoras da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Taubaté (Unitau) torna tudo ainda mais especial e dá ainda mais motivação para continuar melhorando o trabalho e compartilhando os resultados”, afirma.
Para o diretor-adjunto da ATeG do Senar, Rafael Costa, além de orientação técnica, o trabalho dos técnicos transforma a inovação em resultado prático dentro da propriedade rural.
“São os técnicos que conectam o conhecimento e a tecnologia à realidade do produtor, e garantem que as soluções cheguem ao campo de forma aplicável, acessível e com foco em produtividade, gestão e renda.”
O coordenador da ATeG no Senar Amapá, Valdinei Gomes, destacou que o trabalho da Assistência Técnica e Gerencial está alinhado à missão do programa, com foco em soluções que atendem às demandas do cotidiano dos produtores.








