Mesmo sem reajuste oficial, conta de luz de uma família de baixa renda teve crescimento de 81% em 2025

Fatura mensal, que era de R$ 363,99 em janeiro, chegou a R$ 659,34 em novembro de 2025

A família composta por quatro pessoas relata que não adquiriu nenhum eletrodoméstico novo ou promoveu mudanças de rotina

Mesmo sem qualquer reajuste oficialmente autorizado em 2025, o peso da conta de luz no orçamento de uma família de baixa renda no Amapá voltou a crescer de forma expressiva ao longo do ano. Dados do extrato das contas dos comprovantes de pagamento mostram que a fatura mensal, que era de R$ 363,99 em janeiro, chegou a R$ 659,34 em novembro de 2025 — um salto que pressiona diretamente a renda doméstica e força cortes em itens básicos, como alimentação.

Conta quase dobra em 11 meses

Os valores registrados indicam uma escalada contínua ao longo do ano. Em janeiro, a família pagou R$ 385,31 (referente a 01/2025, pagamento em 13/01/2025) e, nos meses seguintes, as cobranças variaram, mas mantiveram tendência de alta: R$ 370,56 em fevereiro, R$ 320,51 em março, R$ 315,52 em abril, R$ 332,01 em maio, R$ 354,77 em junho, R$ 460,18 em julho e R$ 430,23 em agosto, conforme consta no documento.

A família é composta por quatro pessoas e relata que não adquiriu nenhum eletrodoméstico novo ou promoveu mudanças de rotina que justificassem aumento do consumo no período. Ainda assim, a conta de luz saiu de R$ 363,99 (jan) para R$ 659,34 (nov), uma alta de aproximadamente 81% em 2025.

Impacto direto na renda: menos comida e mais aperto

Com renda de pouco mais de dois salários mínimos, o aumento compromete uma parcela maior do orçamento mensal. Na prática, quando um gasto essencial como energia cresce nesse ritmo, a família diz ser obrigada a “escolher o que pagar”: reduzir compras no supermercado, adiar remédios e apertar despesas básicas para manter a luz em dia.

Especialistas em orçamento doméstico alertam que, em famílias de baixa renda, contas fixas — energia, água e gás — tendem a “engolir” rapidamente o dinheiro disponível, sobretudo quando não há reajuste salarial proporcional. O resultado é um ciclo de endividamento, com atraso de contas e perda de qualidade de vida.

Pressão por explicações

O caso reforça a cobrança por maior transparência sobre fatores que influenciam a conta final, como bandeiras tarifárias, cobranças adicionais, tributos e eventuais variações de consumo medidas na fatura. Para a família, o aumento “sem motivo aparente” é o ponto central: não houve mudança de equipamentos, não houve melhora de renda, mas a conta ficou próxima de dobrar.

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