Na opinião de diversas mulheres que recorreram as redes sociais o feminicídio em Santana não é um episódio isolado — ele faz parte de um cenário alarmante no estado

A escalada da violência contra a mulher no Amapá ganhou mais um capítulo brutal nesta semana — e, desta vez, em um cenário que deveria simbolizar proteção e justiça: a porta de um fórum.
Na manhã da última quinta-feira (18), uma mulher foi assassinada a facadas pelo ex-companheiro em frente ao Fórum da Comarca de Santana, momentos antes de participar de uma audiência judicial. A vítima, identificada como Jucileide de Souza Moraes, foi surpreendida e atacada pelo agressor, que a aguardava do lado de fora do prédio.
O crime ocorreu em plena luz do dia, diante de testemunhas, e terminou com a prisão em flagrante do suspeito ainda no local.
Jucileide de Souza Moraes era mãe três filhos, um deles era filho de Elquias da Silva Lima, autor do crime contra a vida da ex-companheira.
Escalada da violência: 2026 já se aproxima do total de 2025
Na opinião de diversas mulheres que recorreram as redes sociais o feminicídio em Santana não é um episódio isolado — ele faz parte de um cenário alarmante no estado.
Dados recentes apontam que, apenas nos primeiros meses de 2026, o número de feminicídios no Amapá já se aproxima de todo o total registrado ao longo de 2025, evidenciando uma explosão da violência de gênero no estado.
Especialistas e autoridades vêm alertando que, apesar da existência de leis e medidas protetivas, a violência doméstica continua sendo o principal gatilho desses crimes — geralmente praticados por ex-companheiros inconformados com o fim do relacionamento.
O feminicídio, por definição, não é um crime comum: trata-se do assassinato de mulheres motivado por desigualdade de gênero, frequentemente ligado a relações de poder, controle e violência doméstica.
Revolta nas redes: “até quando?”
A morte da mãe de família em frente ao fórum gerou uma onda imediata de indignação nas redes sociais.
Centenas de manifestações passaram a cobrar respostas das autoridades, com mensagens que expõem o sentimento coletivo de medo e revolta.
A comoção ganhou força justamente pelo simbolismo do local do crime. A vítima estava ali buscando solução judicial — e acabou sendo assassinada antes mesmo de entrar na audiência.
Falha na proteção e sensação de abandono
O caso escancara uma questão sensível: a fragilidade dos mecanismos de proteção às mulheres em situação de risco.
O fato de o crime ocorrer diante de uma instituição do sistema de Justiça levanta questionamentos inevitáveis, tais como : As medidas protetivas estão sendo efetivas? Há monitoramento adequado de agressores? O Estado está conseguindo prevenir — ou apenas reagir?
Para especialistas, quando a violência chega a esse nível de exposição, o problema já ultrapassou o campo individual e se tornou estrutural.
Mulheres pedem socorro
O sentimento predominante hoje no Amapá é de urgência. Organizações, movimentos sociais e a própria população passaram a exigir: reforço na rede de proteção às vítimas, ampliação de políticas públicas de prevenção, maior rigor na fiscalização de medidas protetivas, resposta rápida do sistema de Justiça
A morte de Jucileide não é apenas mais um número. É o retrato de um estado onde mulheres estão sendo assassinadas em ritmo acelerado — muitas vezes por homens que um dia disseram amá-las.








