A filiação ao PT é interpretada como um movimento estratégico visando as eleições de 2026

O cenário político do Amapá ganhou um novo capítulo nesta semana. O ex-governador Camilo Capiberibe confirmou ao site sua saída do Partido Socialista Brasileiro (PSB), legenda na qual construiu uma trajetória de 27 anos de militância, e anunciou sua filiação ao Partido dos Trabalhadores (PT).
A decisão marca uma capitulo significativo na história política recente do estado, já que Camilo sempre esteve associado ao PSB, partido pelo qual foi deputado estadual, federal e governador do Amapá.
Dificuldades eleitorais pesaram na decisão
Nos bastidores, a saída de Camilo do PSB já era dada como provável e estaria diretamente ligada à dificuldade da legenda em montar uma chapa competitiva capaz de alcançar o quociente eleitoral — requisito fundamental para garantir vagas na Câmara dos Deputados.
Esse cenário ficou evidente nas eleições de 2022. Mesmo obtendo uma votação expressiva — superior à de quatro deputados federais eleitos naquele pleito — Camilo não conseguiu se eleger justamente porque o partido não atingiu o desempenho coletivo necessário.
Reposicionamento estratégico
A filiação ao PT é interpretada como um movimento estratégico visando as eleições de 2026. Ao ingressar em uma legenda com maior capilaridade e estrutura eleitoral, o ex-governador busca ampliar suas chances de retorno ao cenário político nacional.
Quanto ao ex-governador e ex-senador João Alberto Capiberibe, Camilço disse que Capi segue no PSB.
Nas redes cociais o ex-governador publicou uma carta a militância do PSB, sobre a decisão de sair d legenda. Leia a carta:
Carta aos companheiros e companheiras de luta
Há 27 anos me filiei ao Partido Socialista Brasileiro. Foram quase três décadas de militância, aprendizado e construção coletiva ao lado de homens e mulheres que dedicaram suas vidas à luta por um Brasil mais justo, democrático e solidário.
No PSB cresci politicamente, desde a juventude na JSB até a participação na direção estadual e nacional do partido. Pelo PSB disputei seis eleições e tive a honra de exercer três mandatos: deputado estadual, governador e deputado federal. Em toda essa caminhada procurei honrar os valores que aprendi com grandes referências do socialismo democrático brasileiro, como Miguel Arraes, Eduardo Campos e Carlos Siqueira, e no Amapá ao lado da liderança de João e Janete Capiberibe.
Minha trajetória sempre esteve vinculada à defesa da democracia, da justiça social e do desenvolvimento com inclusão para a Amazônia e para o Brasil.
Por isso, esta decisão não nasce de divergências estratégicas com o campo político ao qual sempre pertenci. Ao contrário: sigo comprometido com a unidade das forças democráticas e progressistas que hoje se organizam para defender a democracia e dar continuidade ao projeto liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A realidade política da Amazônia, entretanto, muitas vezes exige decisões táticas para que possamos manter viva a representação das forças progressistas. Em 2022, mesmo tendo recebido mais votos que cinco deputados federais que exerceram mandato nesta legislatura, não alcancei o coeficiente eleitoral. Essa experiência mostra como a disputa política em nossa região exige novas estratégias.
É nesse contexto que decido iniciar um novo ciclo de militância no Partido dos Trabalhadores, integrando no Amapá a Federação Brasil da Esperança.
Não deixo para trás a história construída no PSB. Levo comigo a gratidão, os aprendizados e o respeito por todos que compartilharam comigo essa longa jornada de lutas, vitórias e também derrotas.
Não é uma ruptura com as ideias que sempre defendi. É, antes, uma continuidade da mesma luta por democracia, justiça social e desenvolvimento para o povo do Amapá e do Brasil.








