Obras do governo Lula seguem invisíveis no Amapá, apesar de milhões em investimentos

Em pesquia realizada em julho, a maioria dos entrevistados (40,5%) considera a gestão de Lula “ruim” ou “péssima”

Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenha destinado milhões de reais em investimentos para o Amapá, os reflexos políticos e sociais desses recursos ainda não são percebidos pela maioria da população. A ausência de uma política de comunicação eficaz no estado faz com que obras estruturantes e programas federais fiquem em grande parte desconhecidos.

Investimentos bilionários no estado

O Novo PAC, lançado em agosto de 2023, prevê R$ 1,68 trilhão em investimentos até 2026. Desse total, aproximadamente R$ 28,6 bilhões foram reservados para o Amapá, destinados a obras em infraestrutura, moradia, transporte e saneamento.

No Novo PAC Seleções, voltado a propostas estaduais e municipais, o estado recebeu a aprovação de 29 obras e equipamentos nas áreas de saúde, educação e infraestrutura social, dentro de um pacote de R$ 23 bilhões distribuídos em todo o país. Além disso, o Amapá foi contemplado com 105 projetos nas áreas de urbanização, regularização fundiária e mobilidade, dentro do eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes, parte de uma seleção nacional de R$ 65,4 bilhões.

Execução e fase das obras

Até abril de 2025, o cronograma previa R$ 4,3 bilhões a serem executados até 2026, com R$ 1,5 bilhão (37%) já aplicados. Outros R$ 1,1 bilhão foram projetados para o período pós‑2026, elevando o total previsto para R$ 5,4 bilhões. Ao todo, 57 empreendimentos estavam em execução ou concluídos, incluindo obras de saneamento, escolas, campi universitários, unidades de saúde indígena, ambulâncias e recuperação de rodovias.

Principais projetos já anunciados ou em andamento

Construção de duas maternidades: uma em Macapá e outra em Santana, anunciadas como obras estruturantes para a saúde pública.

Residencial Nelson dos Anjos (Macapá): investimento de R$ 23,3 milhões no Minha Casa, Minha Vida, beneficiando mais de 1.200 famílias.

Campus do IFAP em Tartarugalzinho: aporte de R$ 25 milhões, parte de um investimento total de R$ 147 milhões em educação no estado.

Porto de Santana – Terminal MCP03: contrato de arrendamento de R$ 89 milhões, com ampliação da capacidade de escoamento de grãos.

Resumo numérico consolidado

Programa / ProjetoInvestimento (R$)Status / Observações
Novo PAC28,6 biMontante previsto para o Amapá
Novo PAC Seleções (programa federal)Parte dos R$ 65 bi nacionais29 obras no estado seleccionadas
PAC Execução até 20264,3 bi previstos; 1,5 bi já executados (até abr/25)Total previsto até 2026
Total ampliado (até pós‑2026)5,4 biInclui projeto pós‑2026
Residencial Nelson dos Anjos23,3 miMoradias populares
Campus IFAP Tartarugalzinho25 miExpansão da educação técnica
Terminal MCP03 (Porto de Santana)89 miInfraestrutura e logística portuária

Popularidade em baixa no estado

Apesar do volume de investimentos, o impacto político parece não se traduzir em apoio popular. Pesquisa realizada pela Paraná Pesquisas entre 11 e 15 de julho de 2025, com 1.310 eleitores em 16 municípios amapaenses, mostra que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera a corrida presidencial de 2026 no estado, com 39% das intenções de voto, contra 31,8% de Lula.

No cenário em que Michelle Bolsonaro substitui o marido, ambos aparecem tecnicamente empatados, dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais: Lula com 32,7% e Michelle com 31,8%.

A avaliação do governo federal também enfrenta resistência: 40,5% dos entrevistados classificaram a gestão como “ruim” ou “péssima”, contra 32% que a consideram “ótima” ou “boa”. Outros 25,6% avaliaram como “regular”. Em termos objetivos, 50,7% desaprovam o governo Lula, enquanto 45,5% aprovam.

Invisibilidade política

Na prática, mesmo com cifras bilionárias destinadas a obras e programas sociais, a percepção dos amapaenses é de distanciamento entre o governo federal e a realidade local. A ausência de uma estratégia de comunicação no estado faz com que o impacto desses investimentos não reverta em reconhecimento político.

Em resumo: os investimentos existem, mas o governo Lula segue invisível no Amapá.

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