Após três mortes em um ano, especialista cobra medidas urgentes de segurança em áreas usadas como balneários improvisados

Um alto oficial do Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBM/AP) fez um alerta grave sobre o risco de novos afogamentos na orla de Macapá, especialmente na rampa recém-construída pela Prefeitura no bairro Perpétuo Socorro, que vem sendo utilizada como ponto de lazer e banho por moradores e visitantes. O local, segundo o militar, ainda não possui estrutura adequada de segurança aquática.
“Independente de quem construiu, ficou um lugar bonito e atrativo, mas precisamos proteger a população dos riscos de banho ali, principalmente durante as enchentes das marés”, afirmou o oficial, que preferiu não ser identificado.

Três mortes em um ano expõem vulnerabilidade
O alerta ocorre após três mortes por afogamento registradas no Rio Amazonas em diferentes pontos da orla de Macapá, apenas no último ano.
No último dia 4 de outubro, um adolescente de 16 anos morreu afogado enquanto tomava banho com amigos na orla do Aturiá, bairro do Araxá, zona sul da capital. Segundo o Corpo de Bombeiros, o jovem teria sofrido uma cãibra ou sido surpreendido pela força da maré, que estava agitada no momento do acidente.

Amazonas em diferentes pontos da orla de Macapá
Pouco antes, em 25 de julho, outro adolescente, de 17 anos, também perdeu a vida no mesmo bairro. Testemunhas relataram que ele lavava a bicicleta às margens do rio quando foi arrastado pela correnteza.
O caso mais trágico ocorreu em outubro de 2024, quando o universitário Aloísio Luiz da Silva Júnior, de 23 anos, morreu na Rampa do Açaí, ponto turístico da orla. Ele entrou no rio para tentar salvar duas pessoas que se afogavam, mas acabou sendo levado pela correnteza. Aloísio trabalhava no local e era conhecido por sua dedicação à comunidade ribeirinha.
Perigo invisível: marés fortes e falta de sinalização
Segundo especialistas, o Rio Amazonas na altura de Macapá apresenta forte variação de marés, que podem subir e descer rapidamente, formando correntes perigosas e redemoinhos.
A ausência de placas de aviso, salva-vidas, boias de segurança e vigilância permanente aumenta consideravelmente o risco para banhistas, especialmente crianças e adolescentes.
O oficial dos Bombeiros explica que a beleza do novo balneário do Perpétuo Socorro tem atraído famílias e jovens, mas o espaço não foi projetado para banho recreativo. “A rampa é usada para embarque e desembarque, não é uma praia. Durante as marés cheias, a força da água e o desnível do leito tornam o mergulho extremamente perigoso”, reforça.

Apelo à Prefeitura e à população
O militar pede que a Prefeitura de Macapá adote medidas preventivas urgentes, como instalação de sinalização de risco, campanhas educativas e a presença de guarda-vidas nos fins de semana e feriados, quando o fluxo de banhistas aumenta.
“Essas três mortes em um ano deveriam servir de alerta a todos nós. Precisamos evitar que novas famílias passem por essa dor”, concluiu o oficial.
Enquanto medidas concretas não são tomadas, o Corpo de Bombeiros orienta a população a evitar banhos em locais sem vigilância, a não subestimar a força da maré e a redobrar o cuidado com crianças e adolescentes que frequentam a orla do Rio Amazonas.
Risco iminente
O alerta é claro: sem estrutura adequada, o lazer à beira do Rio Amazonas pode rapidamente se transformar em tragédia. A nova rampa, símbolo de urbanização, está se tornando também um ponto de preocupação para quem entende de segurança aquática — e o tempo, alertam os bombeiros, é crucial para agir antes que novas vidas se percam nas águas turvas da capital amapaense.








