Ao mesmo tempo em que responde pelo desvio de recursos na obra do hospital, a secretaria de saúde da prefeitura de Macapá responde também a um Inquérito Civil , instaurado no MP/AP em razão da precariedade nas UBSs

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (3) a Operação Paroxismo, que investiga fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro na construção do Hospital Geral Municipal e da Maternidade de Macapá. O empreendimento, lançado com festa e grande expectativa em março de 2024 e orçado em R$ 69,3 milhões, era visto como um marco para a saúde da capital amapaense.
Pouco mais de um ano após o inicio da obra, investigações da Policia Federal apontam para mais um escândalo na gestão do prefeito de Macapá, Antônio Furlan (MDB), candidato ao governo do estado em 2026.
O projeto que virou escândalo

O hospital, anunciado como o primeiro de alta complexidade do município, prometia 176 leitos, pronto-socorro 24h, UTI, centro cirúrgico e uma maternidade equipada para reduzir índices de mortalidade materna e neonatal. A pedra fundamental foi lançada em março de 2024 com apoio de emendas parlamentares e recursos municipais, sob forte discurso político de transformação da saúde pública.
No entanto, as investigações da Polícia Federal revelam que parte significativa dos recursos destinados à obra teria sido desviada por meio de um esquema criminoso envolvendo empresários e agentes públicos. O grupo teria manipulado o processo licitatório e criado mecanismos de dissimulação patrimonial, incluindo entregas em espécie e movimentações bancárias suspeitas.

O impacto direto na população
O suposto desvio de verbas tem efeito devastador em uma cidade já marcada pela carência de serviços básicos de saúde. Enquanto milhões eram desviados, moradores de Macapá continuaram a enfrentar hospitais superlotados, falta de leitos e deficiências no atendimento de urgência.
Para lideranças comunitárias, trata-se de mais um episódio que mina a confiança da população na gestão dos recursos públicos e penaliza diretamente quem mais precisa do SUS.
Operação
A investigação aponta indícios de pagamento de propinas, superfaturamento e lavagem de dinheiro. O caso segue sob sigilo parcial, mas já mobiliza a opinião pública e deve influenciar o cenário político local.
O episódio coloca ainda mais pressão sobre a gestão municipal, já questionada pelo modelo de administração baseado em grandes eventos, shows públicos e construção de praças, enquanto obras estruturantes patinam.
Crise na saúde
Ao mesmo tempo em que responde pelo desvio de recursos na obra do hospital, a secretaria de saúde da prefeitura de Macapá responde também a um Inquérito Civil , instaurado pela 2ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde do Ministério Público do Estado (MP/AP) para regularização das UBS’s de Macapá, a fim de evitar a judicialização das irregularidades apontadas.
As demandas são referentes à usina de oxigênio, Unidades Básica de Saúde (UBS); Unidade Municipal de Acolhimento Infanto-Juvenil (UAI); Centro de Atendimento Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPS-I), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu); ambulâncias; Centro Especializado de Reabilitação (CER); serviço de oxigenoterapia domiciliar; residência terapêutica; profissionais de farmácia e libras; e exames de fezes e urina.
Para o Ministério Público o município precisa adotar medidas urgentes objetivando a melhoria no serviço oferecido a população nas Unidades Básicas de Saúde








