A decisão judicial, proferida pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Amapá, detalha o papel desempenhado por cada investigado

Dois dos nove investigados que tiveram a prisão preventiva decretada na Operação Trono de Ferro, deflagrada pela Polícia Federal no último dia 19, foram presos em Macapá. Trata-se de João Gleyson Quadro Bulhões e Dingo Ferreira de Souza, apontados pela Polía Federal como integrantes centrais do núcleo operacional do esquema criminoso voltado à extração ilegal de minério e lavagem de capitais.
A decisão judicial, proferida pela 4ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Amapá, detalha o papel desempenhado por cada investigado dentro da organização criminosa
João Gleyson Quadro Bulhões
De acordo com as investigações, João Gleyson figura como peça central na etapa de tráfico do minério ilegal, investigado por atuar no garimpo em área protegida e na estrutura logística do grupo.
Segundo os autos João Gleyson foi preso em flagrante em julho de 2023 transportando minério extraído ilegalmente. Atuava na logística de transporte e processamento do minério, participava de operações de lavagem de capitais, com uso de empresas de fachada, recebeu valores suspeitos ligados ao núcleo econômico do grupo e mantinha atuação ativa mesmo após prisão anterior.
A decisão ressalta que sua atuação era estratégica para manter a circulação do minério ilícito e garantir o escoamento da produção extraída ilegalmente.
Dingo Ferreira de Souza
Já Dingo Ferreira de Souza é descrito como responsável pelo chamado “esquentamento” do minério — mecanismo utilizado para dar aparência de legalidade ao produto extraído ilegalmente.
Conforme consta na decisão, Dingo era titular de Permissão de Lavra Garimpeira (PLG) utilizada para fornecer lastro documental falso dando origem formal para minério ilegalmente extraído. Dingo recebeu valores expressivos vinculados à operação fraudulenta e atuava na emissão de documentos fiscais para dar aparência lícita ao produto.
A Justiça Federal aponta que sua função era essencial para inserir o minério no mercado formal, permitindo sua comercialização com aparência de regularidade ambiental e fiscal.
Prisões preventivas e bloqueio de bens
De acordo com informações da própria Polícia Feral foram cumpridos 35 mandados, sendo 9 de prisão preventiva e 26 de busca e apreensão, nas cidades de Macapá/AP, de Manaus/AM, de São Paulo/SP, de São João del-Rei/MG, de Joinville/SC e de Boa Vista/RR. A Justiça Federal também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 405 milhões em bens e valores, com o objetivo de interromper as atividades ilícitas e de assegurar o ressarcimento ao erário.
Segundo o magistrado, há indícios de atuação estruturada e divisão de tarefas no grupo, com movimentação financeira milionária e utilização de empresas para ocultação da origem ilícita dos recursos
Investigação segue em andamento
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A Justiça autorizou ainda medidas de bloqueio de ativos financeiros, sequestro de bens e monitoramento de comunicações.
A defesa dos investigados poderá se manifestar no curso do processo.
A Operação Trono de Ferro apura um esquema estruturado de exploração ilegal mineral com ramificações financeiras e empresariais, cuja atuação teria provocado prejuízos ambientais e econômicos de grande proporção.








