
Um caso de extrema violência doméstica chocou a capital de Rondônia nesta semana. O pai, a madrasta e a avó paterna de uma adolescente de 16 anos foram presos suspeitos de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A vítima, Marta Isabelle dos Santos, foi encontrada morta dentro da própria residência, em uma chácara no setor chacareiro da Zona Leste de Porto Velho.
De acordo com a Polícia Militar e a Polícia Civil, Marta apresentava um quadro alarmante: desnutrição severa, ossos expostos, feridas com larvas, lesões nas costas compatíveis com permanência deitada por dias, dente frontal quebrado e outras marcas de violência. Ela estava deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável, sinais que, segundo a perícia, tornavam impossível que a jovem tivesse chegado ao local por conta própria.

O pai, Callebe José da Silva, confessou em depoimento que amarrava a filha todas as noites com fios elétricos e a trancava em casa durante o dia, alegando que ela era “muito agressiva”. A madrasta, Ivanice Farias de Souza, disse à polícia que cuidava das feridas da enteada, mas tinha consciência da gravidade do estado dela. A avó paterna, Benedita Maria da Silva, que estava na residência, também foi detida após a polícia identificar contradições nos relatos. Nenhum dos três acionou socorro médico apesar da condição crítica da adolescente.
Familiares da vítima, que moram na Paraíba, relataram à imprensa que Marta era uma jovem amada, gostava de cantar na igreja, sonhava em terminar os estudos e tinha contato limitado com a família extensa. Uma tia afirmou: “Dizem que a gente sabia, mas não sabíamos de nada. Se soubéssemos, jamais teríamos permitido. Eles privaram ela de tudo: celular, redes sociais, contato com a família”.

O casal de suspeitos se apresentava publicamente como pastores do Ministério Profético Apocalipse. Nas redes sociais, Callebe e Ivanice, conhecida como “pastora Nice”, compartilhavam vídeos de pregações, celebrações religiosas e subidas a “montes” para orar por famílias de fiéis. Um dos últimos registros em vida de Marta mostra a adolescente cantando em um culto da congregação. O caso levanta questionamentos sobre como o isolamento religioso pode ter mascarado a violência prolongada.
Na quinta-feira, 26 de fevereiro, a Justiça de Rondônia converteu as prisões em flagrante em preventivas após audiência de custódia. A investigação continua para apurar a extensão dos maus-tratos, possíveis motivações (incluindo relatos de punições como corte forçado de cabelo) e o período exato em que a adolescente sofreu as agressões.
O caso gerou comoção e revolta em Porto Velho, com manifestações online pedindo justiça implacável. Especialistas em direitos da criança e do adolescente destacam que crimes como esse reforçam a necessidade de maior vigilância em ambientes familiares isolados e de denúncias via Disque 100 ou Conselho Tutelar.








