Professores: salário inicial e final do Amapá está entre os dez melhores no Brasil, diz estudo

Os dados fazem parte do estudo do Movimento Profissão Docente


O salário inicial pago aos professores das redes estaduais de ensino do país subiu nos últimos anos. Mas a valorização da remuneração ao longo da carreira ainda é um desafio enfrentado pelos docentes, segundo um estudo do Movimento Profissão Docente.

A análise, publicada pelo jornal Folha de São Paulo, mostra que todas as 27 unidades da federação cumpriram o piso do magistério no ano passado. Além disso, 25 delas tinham salários iniciais maiores do que o estabelecido pelo piso.

De acordo com o estudo o Amapá paga a 8° melhor remuneração inicial para a jornada de 40 horas, no valor de R$ 6.600,98 , e a 4° melhor remuneração final para a jornada de 40 horas semanais, no valor de R$ 12.862,91 , entre as unidades da federação.

“A remuneração inicial do professor da escola estadual melhorou nos últimos anos. Houve ganhos reais e não apenas correção pela inflação, o que é muito positivo, mas ainda não é suficiente. Para atrair os jovens talentosos para a profissão, é importante que haja previsão de aumentos e salários maiores ao longo da carreira”, diz Haroldo Rocha, coordenador do Movimento Profissão Docente.

O estudo identificou que a amplitude remuneratória média das redes estaduais foi de 49% em 2025. Ou seja, o aumento máximo que um professor consegue ganhar ao longo da carreira é menos da metade do vencimento inicial da profissão.

Segundo os pesquisadores,  da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) países com sistemas educacionais reconhecidos pela qualidade, como Canadá, Luxemburgo, Áustria e Japão, apresentam amplitudes salariais entre 72,7% e 110,2% para docentes de etapa equivalente ao ensino médio brasileiro.

Amplitudes salariais

Mais da metade dos estados brasileiros (14) tem amplitude salarial abaixo de um terço. Piauí e Santa Catarina preveem que, ao fim de toda carreira, o professor consiga alcançar uma remuneração final com menos de 3% de aumento em relação ao vencimento inicial —os estados são governados por Rafael Fonteles (PT) e Jorginho Mello (PL), respectivamente.

Apenas cinco estados brasileiros têm amplitudes salariais dentro do patamar dos países com bons resultados educacionais: Mato Grosso do Sul, Ceará, Tocantins, Amapá e São Paulo. Rocha, no entanto, destaca que é importante que essa remuneração final seja possível de ser alcançada. No estado governado por Tarcísio de Fresitas  (Republicanos), por exemplo, conforme mostrou a Folhanenhum professor conseguiu atingir o topo salarial prometido no último plano de carreira docente.

“Tem alguns estados que apresentam uma amplitude de carreira de 150%. O problema é que muitas vezes o professor nunca chega ao topo, então fica aquela sensação de frustração ou de ser algo inalcançável. Por isso, os estados precisam pensar em como criar carreiras onde haja progressão e que isso incentive os professores a se dedicarem mais e a continuar em sala de aula.”

Progressão

Para os pesquisadores, o ideal seria que houvesse uma progressão considerável em um intervalo de 15 anos de trabalho. “Não adianta só aumentar o salário inicial e achatar a remuneração da categoria inteira. Isso desestimula o professor a se dedicar, a fazer formações. Mas a progressão também não pode ocorrer só ao fim da carreira”, diz Rocha.

Segundo os dados, em Mato Grosso do Sul, que oferece a maior remuneração final, os professores após 15 anos de trabalho só conseguem alcançar 54% de aumento em relação ao salário inicial. Para alcançar o vencimento mais alto oferecido pelo estado, é preciso trabalhar, em média, 34 anos.

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