Executiva estadual determina afastamento do parlamentar dos espaços do partido até a conclusão das investigações da Operação Cavalo de Troia e afirma que não tolerará vínculos com organizações criminosas

O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Amapá anunciou o afastamento do vereador Daniel Theodoro dos espaços partidários, após o parlamentar se tornar um dos principais alvos da Operação Cavalo de Troia, deflagrada nesta quinta-feira (15) pela Polícia Civil, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual.
A decisão foi comunicada pela Executiva Estadual do PSOL, que afirmou ter adotado a medida para preservar a integridade institucional da legenda diante das investigações sobre uma suposta relação entre agentes políticos e integrantes da organização criminosa Família Terror Amapá (FTA).
Segundo a nota, o afastamento permanecerá em vigor até a conclusão das investigações, respeitando o direito de defesa e o contraditório.
A medida partidária não representa expulsão ou cancelamento da filiação de Daniel Theodoro ao PSOL. O comunicado limita-se a determinar seu afastamento dos espaços partidários.
Partido afirma que decisão busca preservar princípios éticos
Na manifestação pública, o PSOL reafirma seu compromisso com a ética, a transparência, a responsabilidade política e a defesa do interesse público.
A legenda informa que a decisão está fundamentada no artigo 13, inciso III, do Estatuto do PSOL Amapá.
O partido não detalhou o conteúdo do dispositivo estatutário, mas esclareceu que a medida pretende preservar a coerência entre seus princípios políticos e a atuação de seus representantes.
Em trecho da nota, a Executiva Estadual afirma que o afastamento busca garantir a “preservação da integridade institucional do Partido e a coerência entre os princípios políticos defendidos pelo PSOL e a atuação de seus representantes”.
A direção estadual também informou que continuará acompanhando o andamento das investigações.
A decisão representa uma resposta institucional da legenda à gravidade das suspeitas que atingem um de seus representantes na Câmara Municipal de Macapá.
Daniel Theodoro foi afastado cautelarmente do mandato pela Justiça
O anúncio do PSOL ocorre um dia depois da Operação Cavalo de Troia, realizada pela Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil do Amapá.
A operação investiga um suposto esquema de utilização de cargos públicos e estruturas administrativas para favorecer integrantes da Família Terror Amapá.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam suspeitas de que agentes políticos e servidores públicos teriam facilitado indicações para empregos e concedido vantagens administrativas a pessoas ligadas à organização criminosa.
A operação cumpriu nove mandados de busca e apreensão em residências, dependências da Câmara Municipal de Macapá e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen).
Entre os alvos estavam o vereador Daniel Theodoro, o ex-vereador Odilson Nunes e a servidora Kelly Cristina Pereira Pacheco, que atua na Ouvidoria da Câmara Municipal.
Por determinação judicial, Daniel Theodoro foi afastado cautelarmente do exercício do mandato parlamentar e proibido de acessar as dependências da Câmara e seus sistemas administrativos.
O vereador havia sido eleito vice-presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal para o biênio 2027-2028, apenas dois dias antes da operação policial.
PSOL afirma que não aceitará vínculos com organizações criminosas
A nota da Executiva Estadual adota uma posição de rejeição a qualquer relação entre integrantes do partido e atividades criminosas.
“O PSOL Amapá não abrirá mão de seus princípios, tampouco do compromisso com uma apuração séria, rigorosa e transparente dos fatos”, afirma o comunicado.
A direção partidária acrescenta que sua atuação terá como orientação o combate a quaisquer relações com atividades ilegais ou vínculos com organizações criminosas.
O posicionamento ocorre em meio à repercussão política da operação, que atingiu diretamente a Câmara Municipal de Macapá e provocou questionamentos da presidência do Legislativo sobre a atuação do delegado responsável pela investigação.
Enquanto a Câmara anunciou que solicitará o afastamento do delegado Estéfano da Silva Santos da condução do inquérito, o PSOL optou por uma medida interna de afastamento do parlamentar investigado.
As duas manifestações têm objetivos distintos: a Câmara questiona aspectos da condução da operação policial, enquanto o partido procura preservar sua integridade institucional diante das suspeitas envolvendo um de seus filiados.
Afastamento partidário não significa condenação
Apesar da decisão da Executiva Estadual, Daniel Theodoro permanece amparado pelo princípio constitucional da presunção de inocência.
O afastamento dos espaços partidários é uma medida interna do PSOL, distinta da decisão judicial que suspendeu cautelarmente o exercício de seu mandato.
A investigação policial ainda está em andamento e deverá esclarecer a eventual participação individual dos investigados nos fatos apurados.
Na nota, o próprio PSOL ressalta a necessidade de assegurar o direito de defesa e o contraditório.
O partido também não informou se pretende instaurar procedimento disciplinar interno ou adotar outras medidas após a conclusão das investigações.
A Executiva Estadual afirmou que continuará acompanhando o caso e que não abrirá mão de uma apuração rigorosa e transparente.
Com a decisão, Daniel Theodoro passa a enfrentar duas medidas de afastamento de naturezas diferentes: uma judicial, relacionada ao exercício do mandato de vereador, e outra partidária, que o impede de participar dos espaços internos do PSOL até a conclusão das investigações.
O ConectAmapá mantém espaço aberto para manifestação do vereador Daniel Theodoro e de sua defesa.
Leia a nota na integra
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) do Amapá, diante das notícias envolvendo o vereador Daniel Theodoro, vem a público reafirmar seu compromisso histórico com a ética, a transparência, a responsabilidade política e a defesa intransigente do interesse público, determinando assim o afastamento do parlamentar dos espaços partidários até a conclusão das investigações em curso, garantindo o seu direito de defesa e ao contraditório, conforme o artigo 13, inciso III, do Estatuto do PSOL Amapá.
A presente decisão, igualmente, está baseada na preservação da integridade institucional do Partido e na coerência entre os princípios políticos defendidos pelo PSOL e a atuação de seus representantes. A executiva Estadual do PSOL Amapá seguirá acompanhando atentamente todo o processo.
O PSOL Amapá não abrirá mão de seus princípios, tampouco do compromisso com uma apuração séria, rigorosa e transparente dos fatos, tendo como norte o combate a quaisquer relações com atividades ilegais ou de elos com organizações criminosas de qualquer natureza.
Macapá, 15 de outubro de 2026
Diretório Estadual do PSOL Amapá








