Os episódios reacendem o debate sobre o uso criminoso de desinformação na política brasileira

O senador Randolfe Rodrigues (PT), líder do governo Lula no Senado Federal, e o ex-governador Camilo Capiberibe (PSB) recorreram às redes sociais para denunciar ataques de fake news que vêm sendo disseminados contra suas trajetórias políticas. Ambos afirmam que as publicações distorcem fatos e declarações, em uma tentativa de criar desgaste público e eleitoral antecipado, a menos de um ano das eleições de 2026.
Vídeo manipulado e distorção de falas
Randolfe Rodrigues relatou ter sido vítima de edições manipuladas de um vídeo em que comentava sobre a pesquisa de petróleo na costa do Amapá. Segundo o senador, o material foi recortado de forma intencional para induzir o público a interpretar que ele defendia a exploração sem critérios ambientais.
Randolfe, que atuou como um dos principais articuladores políticos junto ao Ibama para viabilizar a licença de pesquisa de petróleo no litoral amapaense, destacou que defende o desenvolvimento sustentável da região, com respeito às normas ambientais e às comunidades tradicionais.
Post enganoso contra Camilo Capiberibe
Já o ex-governador Camilo Capiberibe denunciou um post falso que circula em grupos de mensagens e perfis anônimos, alegando que ele teria mentido sobre a origem de um curso de aquaviários realizado no Curiaú.
Segundo a publicação, Camilo estaria mentindo ao informar qu o curso teria sido articulado pelo ex-senador João Alberto Capiberibe e a ex-deputada Janete Capiberibe.
“O curso foi realizado no Curiaú Mirim e no Estado do Pará a pedido da deputada”, afirmou Camilo, apresentando a cópia de um oficio enviado pela ex-deputada a Marinha.


Camilo apresentou também comprovantes de taxas de inscrição e notas fiscais de uniformes, pagos pelos próprios alunos participantes.
O ex-governador é pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026, enquanto Randolfe busca a reeleição ao Senado.
Fake news: um ataque direto à democracia
Os episódios reacendem o debate sobre o uso criminoso de desinformação na política brasileira. Especialistas e órgãos eleitorais alertam que as fake news não são simples opiniões ou críticas, mas sim ataques coordenados com o objetivo de manipular a opinião pública e enfraquecer o processo democrático.
As redes de disseminação de mentiras exploram algoritmos, perfis falsos e robôs para atingir em massa os eleitores, especialmente em períodos pré-eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já anunciou que reforçará o monitoramento digital e a cooperação com plataformas de tecnologia para conter esse tipo de crime.
“A liberdade de expressão não pode ser confundida com o direito de mentir. Espalhar fake news é um ato criminoso que ameaça a integridade das eleições e a confiança do povo na democracia”, destacou um procurador eleitoral ouvido pelo ConectAmapá.
Tanto o senador como o ex-governador anunciaram que pretendem procurar os meios legais para que os reponsáveis pelas publicaçõe respondam judicialmente.
Liberdade de informação exige responsabilidade
A Constituição garante o direito de informar e ser informado, mas esse direito vem acompanhado de deveres éticos e legais. Quando a mentira se disfarça de opinião, ela degrada o debate público e desfigura a verdade, prejudicando não apenas candidatos, mas a sociedade inteira.
Com a escalada de ataques digitais e distorções de conteúdo, o caso de Randolfe e Camilo Capiberibe serve de alerta para o Amapá e para o país: combater a mentira é defender o voto livre e consciente.
A democracia não se sustenta em boatos — mas na verdade, na transparência e no direito de cada cidadão de decidir com base em fatos.
O senador Ranolfe Rodrigues emitiu nota pública sobre o fato. Veja a nota:
NOTA DE ESCLARECIMENTO
Venho a público esclarecer os fatos diante do ataque criminoso de Fake News e da utilização de Deep Fake que viralizou nas redes sociais, deturpando por completo um pronunciamento que fiz em plenário no ano de 2015.
A manipulação digital, que recorta e edita minha fala, é uma tentativa grosseira e irresponsável de enganar a população amapaense e a opinião pública. O trecho adulterado busca passar uma mensão completamente oposta à que sempre defendi.
A verdade é:
Em 2015, lutei no Plenário do Senado Federal pela exploração e pesquisa de petróleo no Amapá. Naquele momento, a ameaça era de que a base de apoio para essas atividades fosse construída fora do nosso estado, mais precisamente no Pará. Meu pronunciamento foi justamente para mobilizar forças – governo do estado, bancada federal e governo federal – para garantir que os investimentos e benefícios dessa nova atividade comercial ficassem no Amapá.
Essa luta foi vitoriosa! Graças ao nosso trabalho conjunto, conseguimos barrar a construção da base no Pará e hoje a base está sendo construída no município de Oiapoque, dentro do estado do Amapá, assegurando que os empregos, renda e desenvolvimento gerados por este setor estratégico permaneçam com o nosso povo.
Fake News é crime! A distorção maliciosa da verdade é um atentado contra a democracia e um desrespeito ao povo amapaense, que merece sempre informações verídicas. Por isso, já foram tomadas as providências legais: um Boletim de Ocorrência foi registrado na Delegacia de Crimes Cibernéticos e a Polícia Federal foi acionada para apurar o caso, identificar e responsabilizar integralmente os responsáveis por este ato covarde.
Reafirmo meu compromisso com a verdade e com o desenvolvimento do Amapá. Seguirei trabalhando incansavelmente em defesa dos interesses do nosso estado e do nosso povo, que não merece ser vítima dos inimigos do Amapá.
Randolfe Rodrigues
Senador pelo Amapá








