Salário do prefeito de Macapá figura em um patamar que ultrapassa o percebido por governadores

Em um contexto de crescente debate sobre a remuneração de agentes públicos no Brasil, o salário do prefeito de Macapá figura em um patamar que ultrapassa o percebido por governadores em alguns estados, de acordo com dados nacionais sobre remuneração de prefeitos das capitais em 2025. O fato chama atenção considerando as diferenças de responsabilidades, população e complexidade entre a administração municipal e a estadual.
De acordo com levantamento feito sobre os salários dos prefeitos das 26 capitais brasileiras, o gestor de Macapá recebe R$ 31,9 mil mensais como salário bruto, valor que o coloca em uma faixa de remuneração mais elevada do que a de alguns governadores estaduais.
| GOVERNADOR | ESTADO | SALÁRIO |
| Elmano de Freitas (PT) | Ceará | R$ 23.059,00 |
| Raquel Lyra (PSD) | Pernambuco | R$ 22.406.00 |
| Jorginho Mello (PL) | Santa Catarina | R$ 25.322,00 |
| Cláudio Castro (PL) | Rio de Janeiro | R$ 21.868,00 |
Comparação com salários de governadores
Embora os governadores tenham autonomia orçamentária definida por lei e um teto constitucional que limita seus vencimentos, em muitos estados os salários desses chefes do Poder Executivo não alcançam o que recebem certos prefeitos de capitais. Por exemplo, dados públicos mostram que em unidades federativas como Rio Grande do Sul, o salário do governador gira em valores significativamente inferiores (por volta de R$ 25,4 mil) — valor determinado de acordo com a legislação local e transparência das contas estaduais.
Essa realidade reforça a singularidade em regiões como o Amapá, onde a remuneração do prefeito da capital está acima de parte dos governadores do Brasil, apesar de serem líderes de estados com orçamentos e responsabilidades substancialmente maiores, incluindo segurança pública, educação e saúde em nível amplo.
O salário recebido por Furlan também supera o de outras grandes capitais do Brasil com PIB e orçamento maiores que o de Macapá.
Ranking do salário dos prefeitos das 26 capitais do País em 2025:
São Paulo (SP): R$ 38.039,38
Palmas (TO): R$ 37.627,28
Porto Velho (RO): R$ R$ 37.366,93
Florianópolis (SC): R$ 35.823,60
Rio de Janeiro (RJ): R$ 35.608,27
Manaus (AM): R$ 35.000
Rio Branco (AC): R$ 35.000
Porto Alegre (RS): R$ 34,9 mil
Belo Horizonte (MG): R$ 34.604,00
Goiânia (GO): R$ 34.556,93
Curitiba (PR): R$ R$ 33.507,00
Cuiabá (MT): R$ 33.157,53
Salvador (BA): R$ 32.000
Macapá (AP): R$ 31,9 mil
João Pessoa (PB): R$ 28.051,52
Aracaju (SE): R$ 29.120
Fortaleza (CE): R$ 27.391,06
Maceió (AL): R$ 26.666,66
Natal (RN): R$ 26.000,00
Belém (PA): R$ 25.332,25
Recife (PE): R$ 25.000,00
São Luís (MA): R$ 25.000,00
Boa Vista (RR): R$ R$ 23.364,00
Campo Grande (MS): R$ 21 .263,62
Vitória (ES): R$ 19.217,12
Teresina (PI): R$ R$ 17.690
Autonomia e polêmica na definição dos salários
Os municípios têm autonomia constitucional para definir a remuneração de seus prefeitos dentro de limites estabelecidos em lei municipal, respeitando tetos que muitas vezes são influenciados por critérios legislativos locais. Essa autonomia, no entanto, tem gerado críticas em diversas frentes da sociedade, especialmente quando a remuneração de prefeitos ultrapassa a de governadores estaduais, algo considerado por especialistas como desproporcional em relação às escalas de responsabilidade e às capacidades orçamentárias dos entes federados.
Em Macapá, o valor de R$ 31,9 mil mensais representa um aumento significativo em relação ao mandato anterior quando o salário era de R$ 19.294,08. Atualmente está entre os 16 maiores salários de prefeito no país, situando-se acima de capitais importantes e concorrendo com remunerações de gestores de cidades muito maiores em termos populacionais. Veja as capiatais com os maiores reajustes :
Maiores reajustes percentuais
Rio Branco: 70% – aumento de R$ 20.625,25 para R$ 35.000
Macapá: 65% – aumento de R$ 19.294,08 para R$ 31.900
Porto Alegre: 53% – aumento de R$ 22.677,06 para R$ 34.900
Manaus: 29% – aumento de R$ 27.000,00 para R$ 35.000
Salvador: 26% – aumento de R$ 25.322,25 para R$ 32.000
Porto Velho: 25% – aumento de R$ 29.893,54 para R$ R$ 37.366,93
Palmas: 20% – aumento de R$ 31.356,07 para R$ 37.627,28
Reforma administrativa
A reforma administrativa traz uma série de mudanças para os municípios. Além da limitação de salários de prefeitos, o texto também propõe limites para gastos de vereadores e para número de secretarias municipais, entre outros.
Essas regras se aplicam apenas a cidades em que as despesas para custeio da administração pública superam a receita corrente líquida, com exceção das capitais. No caso do limite para salário do prefeito e para número de secretarias, as mudanças também variam de acordo com o número de habitantes dos municípios.
Dados mais recentes do PIB dos municípios, do IBGE, mostram que há duas capitais que têm a administração pública como principal fonte de renda: Macapá (AP) e Boa Vista (RR). Se a regra prevista na reforma se aplicasse às capitais, ambos os prefeitos seriam afetados pelo limite remuneratório da reforma.
Em Macapá, especificamente, o fato ganhou destaque no debate local, com setores da população questionando a proporcionalidade da remuneração do chefe do Executivo municipal frente à realidade dos serviços públicos e às necessidades prioritárias da capital do Amapá.








